Foto: Arquivo Pessoal

“Escrever é a minha cachaça”

O hoje clássico “Tremor de Terra”, primeiro livro, de contos, de Luiz Vilela, um de nossos melhores escritores, completa 50 anos e tem nova edição lançada, depois de tempos fora de catálogo. Para comemorar, fizemos 50 perguntas ao autor

Contos made in USA

Por que há tantos contistas bons nos Estados Unidos? Seguem alguns palpites meio de botequim, meio pra valer

Os Alfredos

Um encontro, em um simpático restaurante paulistano, gera conclusões sobre a vida

A pitonista

A velha avó, conhecida pitonisa da Ribeira, certa feita considerou que o neto era um puto de apetites gerais e prognosticou, para horror de todos, que ele seria varado à bala em terra de brutos

O fim

Sua primeira tentativa de volta ao mundo foi em San Diego, que é ponto de encontro e partida de velejadores que cruzam o Pacífico. Não deu em nada. Não conseguia se decidir por uma companheira

Um sino singular

Desde pequeno, aprendeu que os sinos não eram só para marcar horas. Sinos convocam as pessoas para as funções sagradas da Igreja, significam e enobrecem suas festas

Manhã de pai

O filho chegou da rua às seis e meia da manhã. Pegou um pedaço do bolo e, sem dizer bom dia, perguntou ao pai o que ele achava do Ahmadinejad

Vuturuna

Livrava os aflitos do lago do Inferno, do reino do Belzebu. Percebia que dele precisavam e acudia sempre em tempo. Em qualquer parte. Para ele, não havia distância nem tempo

Um homem de método

Há muitos anos, Nogueira descobriu um método sueco para lidar com mulher. No princípio, desconfiou daquilo. Mas do jeito que é, resolveu mandar bala. E mandou

Lambanças

Dona Sônia tem 57 anos e duas filhas casadas. É viúva há três. Vive em um belo apartamento em Perdizes e, desde que o marido se foi, tem a companhia de um Shitzu que ganhou das filhas. Ela nunca disse nada, mas o Shitzu é melhor companhia que o finado. Ele bebia demais. Chegava alto,… Read more »

De tempos em tempos

Levantei muito cedo. Para sair da cama mesmo. Tomei um banho, aparei a barba e me vesti. Agasalhado. Já estávamos no meio do outono. Na cozinha, meu cachorro esperava. Não sei se por mim ou pelas fatias de queijo que ganha todas as manhãs. Preparei um pão na chapa, passei um café bem forte e… Read more »

Os outros dos outros

Eu atendi o telefone e, pela voz, me dei conta de que as coisas não iam bem. Chamar-me para almoçar num japonês em dia de semana? Era estranho. Sugeri o Toyama, ao lado do escritório, onde sempre almoço. Ela concordou. Eu cheguei na hora, pensei em tomar um saquê. Só pensei. Passaram-se uns 20 minutos,… Read more »

Uma breve conversa

O Braga tem lá suas particularidades. Enquanto a maioria dos homens prefere mulher na cama, ele prefere mulher na banheira. Já disseram que ele sofre de “nostalgia amniótica”. Bobagem, o Braga apenas gosta de mulher na água, enquanto outros gostam de mulher no seco. O Braga, nessa questão de banheira, tem método. É rigoroso e… Read more »

Tropeços

O Machado, já chegando aos 40, era homem bem-sucedido. Tinha amigos, um bom sócio e algumas moças discretas, das quais nem se ouvia falar. A vida ia bem para ele, mas faltava alguma coisa. Ele era, como dizem alguns, uma pessoa não infeliz. Não era deprimido. Não vivenciava a raiva, nem o ódio. Não era… Read more »

Zumbis

Lidar bem com o passado é para poucos. Meu amigo Dino Baggetta é um desses poucos. Na verdade, era. Quase ficou louco. Lá na infância, quando encerrou a escola primária, encerrou. Nunca mais falou dos peitos da professora. Nem das estrelinhas douradas, nem da Soninha, tampouco do lanche rançoso. Acabou, acabou. Do primário, sobrei eu…. Read more »