Apresentado pelo ator Wagner Moura, evento reuniu neste domingo (28) artistas como Criolo, Mart’Nália, Mária Gadú, BNegão, Rappin’ Hood, Mano Brown – que bradou: “é preciso se reinventar, renascer! -, Caetano Veloso e Milton Nascimento

O ator Wagner Moura, mestre de cerimônia do Rio Pelas Diretas. Foto: Reprodução / Diretas Já / Mídia Ninja

O ator Wagner Moura, mestre de cerimônia do Rio Pelas Diretas. Foto: Reprodução / Diretas Já / Mídia Ninja


A multidão apinhada na orla de Copacabana na tarde deste domingo (28), reunida ali para prestigiar os shows do festival Rio Pelas Diretas, fez lembrar os históricos “showmícios”, em defesa da restituição da democracia, que marcaram a primeira metade dos anos 1980, movimentação que contribuiu para antecipar o fim do regime militar no País.

Os organizadores do evento estimam a presença de quase cem mil participantes. A despeito de tal número ainda não ter sido confirmado ou confrontado pela PM da capital fluminense, imagens aéreas captadas por meio de drones, como a foto abaixo, não deixam dúvidas de que a manifestação, que exige a saída imediata de Michel Temer (PMDB) da Presidência da República e a convocação de eleições diretas para a escolha de seu sucessor, foi mesmo expressiva.

Imagem aérea captada por drone registra a multidão de manifestantes apinhados na orla de Copacabana. Foto: Reprodução / Diretas Já / Mídia Ninja

Imagem aérea, captada por meio de um drone, registra a multidão de manifestantes apinhados na orla de Copacabana. Foto: Reprodução / Diretas Já / Mídia Ninja

 
Ciceroneado pelo ator Wagner Moura e iniciado com uma apresentação do bloco Cordão da Bola Preta, o evento reuniu diversos artistas da música popular brasileira, como Pretinho da Serrinha, Teresa Cristina, Otto, Mart’Nália, Mano Brown, Rappi’n Hood, Maria Gadú, Caetano Veloso, Milton Nascimento, Criolo, Pedro Luis, BNegão e Digital Dubs.

A manifestação, organizada pelos movimentos Frente Povo Sem Medo e Frente Brasil Popular, também contou com o apoio de artistas do cinema e da TV, como Antonio Piranga, Bete Mendes, Osmar Prado, Zezé Motta, Humberto Carrão, Maria Casadevall, Daniel Oliveira, Sophie Charlotte e Cristina Pereira. Houve ainda a presença de políticos, como o senador Lindbergh Farias (PT) e os deputados Marcelo Freixo (PSOL), Alessandro Molon (REDE), Jandira Feghali (PSOL), e Flávio Serafini (PSOL).

Pacífico, o ato teve início às 11h e foi encerrado por volta de 19h. Marcada por reincidentes gritos coletivos de “fora Temer” e “diretas já!”, a manifestação também foi permeada por discursos incisivos dos artistas. Acompanhado de Rappin’ Hood, Mano Brown, líder dos Racionais MCs, defendeu que o atual cenário sociopolítico exige ações para “reinventar” o País.

“Diretas Já! Esse é o momento! É preciso acreditar. E preciso lutar, dialogar, discordar e refletir. É preciso se reinventar, morrer, renascer, nascer de novo. Eleições diretas já! Essa é a hora”, disse o rapper, no final de sua apresentação, encerrada com a canção Vida Loka, Parte 2, um dos maiores sucessos do Racionais MCs.

O evento também contou com a  presença de dois ícones do Hip-Hop brasileiro, os MCs Rappin Hood e Mano Brown. Foto: Reprodução / Diretas Já / Mídia Ninja

O evento também contou com a presença de dois ícones do Hip-Hop brasileiro, os MCs Rappin’ Hood e Mano Brown. Foto: Reprodução / Diretas Já / Mídia Ninja


Na sequência, antes de apresentar Caetano Veloso e Maria Gadú, Wagner Moura enfatizou a importância da colaboração dos artistas presentes. “Viva o rap, viva o hip-hop, viva o funk! Viva a música popular brasileira, que sempre esteve do lado certo na hora certa: do lado da democracia!”, afirmou o ator.

Municiado de voz e violão, Caetano apresentou um repertório de evidente diálogo com as pautas do Rio Pelas Diretas. Sozinho ou dividindo voz com Maria Gadú, interpretou Podres Poderes, Um Índio e Vaca Profana, recortadas por trechos de Alegria, Alegria, Desde Que o Samba é Samba e Divino Maravilhoso. Além dessas canções, todas de sua autoria, também incluiu na apresentação os versos esperançosos de Amanhã, de Guilherme Arantes. Ao convidar Milton Nascimento para subir no palco, reverenciou o amigo referindo-se a ele como “um grande milagre na história da cultura e da música brasileira”. Sucinto, Milton decidiu apresentar, de sua cepa, apenas uma composição, que, no entanto, simbolizou o espírito do Rio Pelas Diretas. Nos Bailes da Vida, dos versos “todo artista tem de ir aonde o povo está”, foi a escolhida.

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Veja um registro aéreo, feito por meio de drone, do Rio Pelas Diretas. A imagem foi captada pelo cinegrafista Antonio Azambuja, colaborador do coletivo Mídia Ninja 

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