Escritores portugueses, moçambicanos e brasileiros encontram pontos em comum nas mesas da Feira Nacional do Livro de Poços de Caldas

Um dos painéis do evento reuniu várias gerações de escritores moçambicanos. Foto: Reprodução/Facebook

Um dos painéis do evento reuniu várias gerações de escritores moçambicanos. Foto: Reprodução/Facebook

Uma das características da Flipoços, Feira Nacional do Livro de Poços de Caldas, em Minas, é a variedade de público e autores convidados. A organização do evento espera assim, atrair um número maior possível de leitores, seja de literatura ou não. Parece que vem dando certo: este ano um público recorde de 70 mil pessoas consumiu mais de um milhão de reais em livros durante as duas semanas da 12ª edição do festival, que aconteceu de 28 de abril a 6 de maio. 

Depois de ouvir convidados como Dom Betrand de Orleans e Bragança afirmar que índios não têm cultura e que homossexualismo é falha, veio a bonança: autores como o português Afonso Cruz, os moçambicanos Ungulani Ba Ka Khosa, Paulina Chiziane e Mbate Pedro, além da brasileira Katia Gerlach, discutiram, entre outros tópicos, a lusofonia e a língua portuguesa que une suas escritas.

Essa conversa teve a mediação certeira de Susana Ventura, que é pesquisadora de literatura em línguas portuguesas. Ela propôs o debate sobre o uso da língua, supostamente a mesma, dentro de perfis e culturas literários tão diversos.

Gerlach, que vive em Nova York, destacou a língua portuguesa como um ato seu de resistência. “O medo aumenta o amor pela língua. O processo de criação em português é um ato de resistência, uma corda na qual eu me seguro.” Gerlach lançou no Flipoços seu mais recente trabalho, o livro Jogos (Ben)ditos e Folias (Mal)ditas, da Editora Oito e Meio.

Afonso Cruz, premiado autor português cuja participação teve início na primeira semana do Festival, comentou sobre sua relutância em se enquadrar na categoria de escritor português. Acreditando que a língua e a literatura podem derrubar fronteiras, ele vê a qualidade nas artes como pilar independente de nacionalidades e idiomas.

Entre os moçambicanos, destaque para o belo Vácuos, livro de poemas de Mbate Pedro, da Editora Cavalo do Mar, e para As Andorinhas, livro de forte representação da oralidade, de Paulina Chiziane, ovacionadíssima pelo público. Foi lançado no Brasil pela Nandyala Livros.  
 

*Lançou o livro de contos A Loucura dos Outros (Editora Reformatório) na Flipoços. Mora em Londres.

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