Ativista radical e oradora inflamada, ela abraçou o anarquismo ainda na adolescência e teve como primeira causa a redução da jornada de trabalho

 Emma Goldman discursa, em cima de um carro aberto, na Union Square, em Nova York, em 1916 – Foto: Reprodução


Emma Goldman discursa, de cima de um carro aberto, na Union Square, em Nova York, em 1916 – Foto: Reprodução


Edgar Hoover, o todo-poderoso que comandaria o FBI por 48 anos, não mediu palavras ao defini-la, quando dirigia o setor de inteligência do Departamento de Justiça: a ativista Emma Goldman era “a mulher mais perigosa da América”. Hoover empenhou-se tanto na deportação de Emma que fez questão de acompanhá-la de perto. No amanhecer do domingo 21 de dezembro de 1919, ele estava no porto de Nova York quando o navio Buford partiu, levando embora a anarquista e outros 248 ativistas políticos.

Nascida em uma família judia da Lituânia, quando o país ainda era parte do império russo, Emma tinha chegado aos Estados Unidos em 1885, aos 16 anos, junto com Helena, sua irmã mais velha. Escapava de um casamento arranjado em São Petersburgo, onde sua família vivia à época, para trabalhar como operária de uma indústria têxtil em Rochester, no estado de Nova York, cidade na qual as duas irmãs inicialmente se estabeleceram.

Emma, que viria a se destacar como oradora e ativista radical, teve como primeira causa a redução da jornada de trabalho de 15 para oito horas diárias. Não atuava em interesse próprio. Assumiu a causa durante o julgamento de anarquistas acusados injustamente de acionar um explosivo durante uma manifestação pela redução da jornada de trabalho em Chicago, em maio de 1886. O episódio, conhecido como Massacre de Haymarket, é uma das origens das comemorações internacionais do Primeiro de Maio, Dia do Trabalhador.

Emma e a irmã acompanhavam o julgamento pelos jornais de Rochester e se irritavam com a publicação de notícias claramente enviesadas. Quatro dos acusados acabaram condenados à forca, o que levou Emma a tomar como seu o “grande ideal” dos camaradas “martirizados”, segundo o relato que fez na biografia Vivendo Minha Vida. Depois de mudar-se para Nova York, ela uniu-se a outro conhecido anarquista, Alexander Berkman.

Em posição contra a corrente, Emma foi uma das primeiras defensoras da liberdade de expressão, da independência das mulheres e do controle de natalidade (o que lhe valeu várias acusações por pornografia). Pela campanha contra o recrutamento obrigatório durante a Primeira Guerra Mundial, cumpriu dois anos de prisão, seguidos pela deportação em 1919. Até a morte, em 1940, participou dos principais acontecimentos políticos de seu tempo, da Revolução Russa à Guerra Civil Espanhola.

Emma Goldman em 1911, quando já se destacava como liderança anarquista – Foto: Reprodução / Library of Congress

Emma Goldman em 1911, quando já se destacava como liderança anarquista – Foto: Reprodução / Library of Congress

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  • Luiza Villaméa

    Repórter Especial da Brasileiros, é jornalista e mestre em História pela USP. Ganhou um prêmio Esso por uma série de reportagens sobre o impacto da ditadura na vida de crianças e adolescentes