A artista reinventou o espaço dedicado ao Brasil com a instalação “Chão de Caça”, composta por grades metálicas, elementos escultórios, série de pinturas e um vídeo

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No Pavilhão Brasileiro da 57ª Bienal Internacional de Arte de Veneza, que abriu as portas nessa quinta-feira (11) no Giardini, quem reina é a brasileira Cinthia Marcelle. Com curadoria de Jochen Volz, a artista mineira recebeu menção honrosa pela instalação Chão de Caça, feita a partir de um piso de grades metálicas soldadas, que liga duas galerias e se eleva conforme passa de um passo ao outro, e pedras brancas colocadas entre os vãos das grades. Um vídeo de Marcelle e do cineasta Tiago Mata Machado, uma encenação em que homens acampam sobre um telhado com tochas e sinalizadores, também compõe o espaço.

 “A ideia da curadoria nasceu de uma tentativa de saber como uma exposição podia funcionar de forma satisfatória em uma sala pequena. Achei que uma criação coletiva ali poderia ser prejudicada”, disse Volz em entrevista recente à Arte!Brasileiros. O curador assinou a Bienal de Arte de São Paulo no ano passado e neste ano assume a diretoria da Pinacoteca do Estado.

Veja aqui a entrevista do curador Jochen Volz à reportagem da Arte!Brasileiros. 

No catálogo de apresentação do Pavilhão Brasileiro, o curador enfatiza a maneira como Marcelle introduz elementos distintos ao pavilhão, em um diálogo direto com arquitetura do lugar ao interligar as duas galerias e promover uma circulação alternativa entre o interior do prédio e o jardim ao redor. “A interrupção do corredor central que cruza o pavilhão, que conecta a Ponte dei Giardini a um espelho de água que há na parte de trás – preservadas até hoje, é a característica arquitetônica mais marcante do prédio -, altera radicalmente a sensação espacial e o próprio movimento dos visitantes do espaço”, observa Voltz no texto de apresentação da obra.

Para ele, Cinthia Marcelle representa uma geração de artistas que está claramente a par da história da arte brasileira do século XX, mas desenvolveu na última década um vocabulário que une experimentação visual com rigor conceitual. “Desde o início de 2000, Cinthia Marcelle vem construindo sua obra com uso de suportes variados: da instalação à escultura, da fotografia e do vídeo à performance”, analisa o curador. 

Além de Marcelle, outros três artistas estarão na mostra principal da Bienal de Veneza: Ayerson Heráclitok, Erika Verzutti, Ernesto Neto e Paulo Bruscky.

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