Medida extrema foi necessária para ressaltar que a entidade não tolerará ataques, informou a MSF. Homens armados invadiram hospital no final de abril

A organização “Médicos Sem Fronteiras” informa que no final de abril cerca de 30 homens mascarados e armados invadiram o hospital Hazzeh, situado no leste de Ghouta, cidade próxima à capital da Síria, em Damasco. Os homens retiraram pacientes específicos de dentro do hospital e apreenderam uma ambulância. 

Também, em outro posto médico da organização, ao sul de Ghouta, o posto médico de Alfares foi atingido por tiros e “seus médicos foram encurralados e impedidos de recolher feridos”, informa a MSF. A zona rural do leste de Ghouta, próximo a Damasco, está sitiada por forças do governo sírio desde o início de 2013.

Homens armados invadiram o hospital em busca de homens específicos e instalação foi alvo de tiroteios. Foto: MSF

Homens armados invadiram o hospital em busca de homens específicos e instalação foi alvo de tiroteios. Foto: MSF

Por esse motivo, a organização informa que suspenderá seu apoio médico na região. A entidade tem como exigência para sua atuação em áreas de risco que seja proibida a entrada de armas ou de pessoas armadas nas instalações. Também pacientes não podem ser considerados combatentes e precauções devem ser tomadas para evitar o ataque a estruturas de saúde.

“Como uma medida extrema para ressaltar que tais ataques contra instalações de saúde não serão tolerados por MSF, nem pelos médicos que a organização apoia, MSF suspenderá seu apoio médico à região leste de Goutha até que haja sinais claros de que as partes beligerantes respeitarão instalações e profissionais de saúde”, informou em nota a organização.

A MSF informa também que os ataques acontecem um momento em que cuidados médicos vitais são mais necessários. Um hospital de campanha apoiado por MSF que, até agora, tem tido condições de continuar funcionando, recebeu mais de 100 feridos somente nos dias 29 e 30 de abril, como resultado de confrontos intensos.

A entidade também fez um apelo a grupos armados. “Independentemente do lado em que estejam, respeitem a proteção devida aos espaços médicos e a proteção de pacientes em tratamento.”

A atuação da MSF na Síria

A entidade mantém quatro hospitais no norte da Síria e apoia mais de 150 instalações no restante do país. No leste de Ghouta, MSF apoia 19 hospitais de campanha, 2 maternidades, 7 centros de saúde primária e 5 postos médicos de pequeno porte.

Ao longo de apenas três meses – de novembro de 2016 a janeiro de 2017 – essas instalações realizaram 291 mil consultas ambulatoriais e de emergência, 18.750 cirurgias e 3.100 partos. MSF não aceita doações governamentais para seu trabalho na Síria, a fim de se manter independente de motivações políticas.

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