Simpatizantes foram à rua e provocaram focos de violência após o resultado das eleições

Moreno comemora vitória. Foto: Divulgação/Facebook

Moreno comemora vitória. Foto: Divulgação/Facebook

Em mais um cenário de acirramento político na América Latina, o candidato de esquerda e apoiado por Rafael Correa, Lenín Moreno, foi eleito presidente do Equador neste domingo (2) em votação apertada: 51% a 49%. Após a derrota, o banqueiro e candidato Guillermo Lasso acusou o processo eleitoral de fraude e convocou seus simpatizantes às ruas. “Não permitiremos que se brinque com a vontade popular. Não somos tontos, tampouco o povo equatoriano. Pacificamente, defenda seu voto”, escreveu no Twitter.

Focos de violência ocorreram em Quito, quando manifestantes romperam o cerco policial ao redor do Conselho Nacional Eleitoral, e em cidades como Esmeraldas, Ibarra e Azogues. Por meio de sua conta no Twitter, o presidente Rafael Correa comemorou a vitória, mas lamentou a reação do candidato derrotado: “os que não vencem nas urnas querem vencer à força”.

No fim da noite, sem que a apuração das urnas tivesse terminado, Lasso anunciou que nesta segunda-feira (3) vai pedir a impugnação de todos os votos e uma segunda contagem. Ele disse ter provas de que houve fraude e pediu aos seus simpatizantes que façam uma vigília, para “evitar que se instale um governo ilegítimo no Equador”.

O fundador do Wikileaks, Julian Assange, sob asilo político na embaixada do Equador em Londres desde 2012, pediu a Lasso que se retire do país no prazo de um mês “com ou sem seus milhões offshore”. Assange publicou denúncias contra o candidato, que respondeu afirmando que, caso fosse eleito, obrigaria a saída de Assange da embaixada do Equador nos primeiros 30 dias de governo.

Mal terminou a votação, milhares de partidários de Moreno e Lasso foram até a porta do Conselho Nacional Eleitoral (CNE) para esperar os resultados. Pela primeira vez, em uma década, foi necessário o segundo turno para definir quem presidirá o Equador.  Durante uma década, o cargo tem sido ocupado pelo economista Rafael Correa, que em maio conclui seu terceiro e ultimo mandato consecutivo.

A votação deste domingo – assim como o primeiro turno em fevereiro – foi acirrada. Na reta final, a campanha foi marcada pela troca de acusações e a polarização. O administrador cadeirante Moreno prometeu continuar a “Revolução Cidadã” e ampliar os planos sociais de Correa, de quem foi vice-presidente. O conservador Lasso se postulou como o candidato da mudança e propõe reduzir impostos. As últimas pesquisas de opinião, publicadas antes da eleição, previam “empate técnico” – por isso foi feito um chamado à população para esperar os resultados oficiais.

Lasso, que também havia comemorado a vitória mais cedo, não aceitou a derrota, citando três pesquisas de boca de urna que asseguravam a vitória. O oposicionista acrescentou que tem provas de irregularidades em algumas urnas e pediu aos seus simpatizantes que virassem a noite, para acompanhar a contagem de votos até o fim. Ele disse que telefonou para o secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), Luis Almagro, para informar sobre a situação.

Nesta segunda-feira, o Conselho Permanente da OEA vai se reunir para discutir a crise institucional na Venezuela.

*Com Agência Brasil

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