Mudança na estratégia de vacinação acata recomendação da Organização Mundial de Saúde, justifica governo

Em Minas Gerais, agentes de saúde vacinam à domicílio em áreas rurais. Foto: Divulgação

Em Minas Gerais, agentes de saúde vacinam à domicílio em áreas rurais. Foto: Divulgação

A partir de agora, a recomendação do governo é tomar apenas uma dose da vacina contra a febre amarela durante toda a vida. “Quem já tomou alguma dose, não precisa mais se vacinar”, disse na quarta-feira, 9,  o ministro da Saúde, o engenheiro Ricardo Barros.

Portanto, quem já se vacinou quando era criança ou mais tarde e têm a comprovação na carteira, não precisa  mais tomar a dose “de reforço”, depois dos 10 anos de idade.

A decisão de mudar a conduta de vacinação foi tomada pelo Ministério da Saúde. A justificativa da pasta são dados contidos em estudos feitos pela OMS (Organização Mundial da Saúde) que evidenciariam a eficácia da dose única, sem necessidade de complementação. 

Em 2014, a OMS já havia recomendado a mudança. Porém, até recentemente, ministério da Saúde brasileiro entendia que ainda eram necessários mais estudos para adotar o protocolo.

A pasta nega que possa haver falta de vacinas e diz que os estoques são suficientes para suprir a demanda. 

Os dados oficiais informam que pelo menos 2 mil casos de febre amarela foram notificados em todo o país desde dezembro do ano passado. As análises laboratoriais, que são lentas, até agora confirmaram a doença em 586 indivíduos e a ocorrência de 190 mortes até agora.

No mesmo período, cerca de 16,5 milhões de doses da vacina foram aplicadas. Desse total, o governo estuda cerca de 192 casos em que houve reações graves à vacina, como a contaminação.

Fracionamento também poderá ser adotado

O governo decidiu ainda autorizar que a vacina seja dada de forma fracionada. A intenção é imunizar maior número de pessoas em casos emergenciais. A medida por ser adotada em locais a serem definidos. No entanto, ainda não se sabe se o fracionamento entrará em vigor.

O que muda com a adoção do fracionamento é a dose de vacina ministrada. Em vez de colocar 0,5 ml na seringa, o vacinador ministra 0,1 ml por pessoa. A diluição em líquidos para facilitar sua introdução no organismo continua a mesma.

Dessa maneira, um frasco com cinco doses poderá vacinar 25 pessoas em vez das cinco originalmente previstas.

A dose menor, segundo pesquisas, teria o mesmo efeito em 97% dos casos. Porém, pode haver mudanças no tempo de proteção. De acordo com algumas pesquisas, indivíduos vacinados com a dose fracionada estarão protegidos por cerca de um ano.

Até agora, não há comprovação científica do tempo exato de proteção conferido pela dose fracionada. “Os estudos vão continuar. Pode ser que se chegue à conclusão de que a dose fracionada imuniza a pessoa pela vida toda ou garante durante um, dois anos”, explicou o ministro Barros.

O ministro da Saúde acredita que, por enquanto, o fracionamento é evitável e que o estoque de vacinas será suficiente para a demanda atual. “Se você me perguntar hoje, não [vamos utilizá-las]. Mas pode ser que amanhã chegue algum resultado de exame, de avaliação, que determine ampliar uma área de vacinação. Nós já colocamos centenas de municípios em área de vacinação. Mas, se tivermos que colocar um com muita população, eventualmente teremos que dispor do fracionamento”, disse Barros.

Rio de Janeiro

Nos estados em que há recomendação para que a vacina seja aplicada em grande número de cidades, um grupo de profissionais da rede pública fará um treinamento para ministrar a vacina fracionada. Esse ação envolve também a compra de 20 milhões de seringas para dosagem. Se não vierem a ser usadas contra a febre amarela, o governo pretende destiná-las a outros tipos de aplicações, como doses de insulina.  

* Com informações da Agência Brasil

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