Modelo usado como solução emergencial para zerar fila de espera por exames do SUS na cidade de São Paulo será novamente empregado para agendar cirurgias

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Por três meses, paulistanos puderam fazer exames em horários especiais. Foto: CCO/ Public Domain

Em balanço apresentado na segunda-feira, 3, sobre os resultados do programa “Corujão da Saúde”, o prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), anunciou que irá usar a mesma fórmula em maio, desta vez para oferecer cirurgias.  O “Corujão”, uma espécie de mutirão com duração de 90 dias entre janeiro e abril, foi uma bandeira de campanha de Doria. Segundo a Prefeitura, a iniciativa zerou a fila de 485 mil pessoas que aguardavam exames no ano de 2016. 

“Em números precisos, 342,7 mil exames foram realizados”, disse o prefeito Doria, que comemorou esmiuçando os dados. “Foram 129 exames por dia, três exames por minuto, um a cada 20 segundos.”  

A maior parte dos exames do “Corujão” (79,78%) foi feita em estruturas da rede municipal, como as Unidades Básicas de Saúde. Apenas 20% teriam sido feitos em hospitais privados. As ultrassonografias (65,37%), mamografias (15,63%) e tomografias (7,48%) foram os mais numerosos.  

O programa envolveu 44 hospitais públicos e privados, entre eles o Sírio-Libanês e o Hospital Israelita Albert Einstein. Para atender aos pacientes da rede pública, os hospitais privados abriram horários na madrugada e em períodos com menor movimento, como o que é reservado ao almoço. Segundo a Prefeitura, o desembolso com os exames em hospitais privados foi de R$ 9 milhões de reais. O site secretaria municipal de Saúde informa que os custos totais do atendimento emergencial foram de R$ 17 milhões. 

Restariam, de acordo com os gestores, três mil pessoas em espera da fila do contingente que deu entrada em 2016. Na mesma entrevista, porém, os gestores também disseram que o número mais preciso de pacientes que entraram no sistema no ano passado e ainda aguardam de exames seria de  1.7oo pessoas. Na explicação do secretário municipal de Saúde, Wilson Pollara, são pacientes que tiveram seus exames agendados pelo “Corujão”, mas não foram localizados no prazo de 15 dias ou não compareceram e, por isso, voltaram para a fila.

Outro dado controverso é o tamanho da fila de espera por exames durante a gestão Doria. Em busca dessa informação,  o jornal Folha de S. Paulo recorreu à Lei de Acesso à informação em fevereiro. Na segunda-feira, 3, a Prefeitura informou que restaram 88,6 mil à espera de agendamento por um exame. Segundo Pollara, o sistema de saúde municipal recebe cerca de 110 mil novos pacientes por mês. 

Mais “Corujões”

O prefeito Doria aproveitou o balanço sobre o “Corujão” dos exames para anunciar que irá repetir a fórmula. A nova edição está em fase de planejamento e será voltada ao atendimento de pacientes que já passaram por exames e tiveram diagnósticos que demandam consultas com especialistas e procedimentos cirúrgicos. 

“Os agentes comunitários estão fazendo um levantamento ‘in loco’ para saber de quais cirurgias essas pessoas precisam”, disse. A proposta é dividir os pacientes em três grupos – aqueles que precisam de procedimentos ambulatoriais, cirurgias de curta permanência (internação de 24 a 48 horas) e as intervenções mais complexas (internações de três ou mais). Ele pensa em fechar novos pacotes com hospitais privados. “Do jeito que a fila está, não é possível saber”, disse. 

Mais uma novidade anunciada é prazo máximo de 30 dias estabelecido pelos gestores municipais para o agendamento e realização de realizar exames mais urgentes no SUS. Para exames de menor urgência, no entanto, Pollara diz que o prazo poderá chegar a 60 dias.  “Mas esperamos resolver tudo em cerca de 30 dias”, afirmou.  

Na visão do ex-ministro da Saúde José Gomes Temporão (2007-2011), os mutirões da saúde e iniciativas semelhantes, como os “Corujões”, são ações de caráter emergencial usadas quando não há  um projeto para resolver os gargalos da saúde. Temporão falou à Brasileiros na semana passada, antes da coletiva de Doria.    

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