Para os que ainda acreditam que está em curso uma verdadeira “operação mãos limpas”, é necessário observar que os últimos lances ainda exibem sinais de que um grande acordo se desenha no horizonte


A imprensa se deliciou com a lista dos acusados contra os quais o ministro relator do processo da Lava-Jato no Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, decidiu abrir inquérito.

No entanto, com todo o esforço dos apresentadores do Jornal Nacional e toda a cuidadosa verborragia dos “analistas” da mídia hegemônica, não há como o leitor e telespectador mediano, potencial midiota, compreender o momento político que vivemos.

Para os que ainda acreditam que está em curso uma verdadeira “operação mãos limpas”, é necessário observar que os últimos lances ainda exibem sinais de que um grande acordo se desenha no horizonte.

Mas o problema não é exatamente uma potencial acomodação de interesses, com a limitação do alcance da ação da Justiça. O problema é que, quanto mais tardar uma solução negociada, mais nos aproximamos do risco de uma ruptura violenta da ordem institucional.

Deve-se dizer: muito mais violenta do que o processo de impeachment de Dilma Rousseff.

Alguns protagonistas importantes dessa história estão convencidos de que não é possível conduzir esse processo a um final ortodoxo, coerente com o estilo inclemente que tem marcado os julgamentos e pré-julgamentos conduzidos pela “república” de Curitiba.

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, por exemplo, juntamente com o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal e presidente do Tribunal Superior Eleitoral, manobram para estabelecer um critério que permita criar um bolsão de salvaguarda capaz de preservar um mínimo de operacionalidade nos poderes Executivo e Legislativo.

Acontece que a guerra extrapolou em muito a cruzada do juiz Sérgio Moro e seus associados contra o Partido dos Trabalhadores e seus aliados: agora se trata de uma ofensiva avassaladora dos iluminados iluministas da Procuradoria da República contra aqueles que eles consideram a banda podre da República, ou seja, toda a classe política.

A depender dos próximos movimentos de um e de outro lado, não restará outra alternativa que não o caos.

Aliás, nos dois lados do espectro político em que se radicaliza essa crise, grupos muito influentes começam a considerar seriamente o abandono da estratégia e a ignição do incêndio. Um ensaio está marcado para o dia 28 de abril, mas a data fatídica será o dia 3 de maio.

Não são poucos os que estão dispostos a acender a centelha.

De um lado, militantes do campo petista inconformados com o fracasso da política de alianças ensaiam um evento catalisador para lançar a campanha da volta às origens puristas.

De outro lado, algumas daquelas organizações que conduziram as manifestações peloimpeachment da presidente eleita em 2014, que vêm perdendo espaço com o fiasco do governoenterino, sonham em reconquistar o antigo e efêmero protagonismo. Até mesmo velhos agitadores, como os que sonham com a ruptura da federação e a separação dos estados do Sul,  planejam intervir no processo.

É muito combustível para poucos bombeiros: FHC acaba de ser atingido em sua credibilidade pela associação de seu nome ao da caterva dos corruptos; Gilmar Mendes está sendo investigado em sigilo pela Procuradoria da República. Outros nomes reluzentes da política foram abatidos pela lista que “vazou” para a imprensa.

Uma lista que contém os nomes de oito ministros, três governadores, 24 senadores, um ministro do TCU e 39 deputados, nascida da delação de apenas uma das grandes empreiteiras, é uma bomba de potência incalculável.

O detonador foi acionado.

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