Hospital São Paulo restringe atendimento por falta de material e poderá fechar de vez. Direção diz que Ministério da Saúde não aceitou pedido de aumento de recursos

Em carta aberta divulgada à população, a direção do Hospital São Paulo, hospital universitário na zona Sul ligado à Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), avisou que poderá fechar as portas. Segundo o hospital, uma crise sem precedentes abala a instituição por conta do teto de pagamento imposto pelo Ministério Da Saúde e Ministério da Educação, que não leva em conta o volume e a qualidade do atendimento oferecido. 

“Vivemos uma contínua queda das receitas”, diz o documento. Só em 2016, o hospital acumulou déficit de mais de R$ 34 milhões, possui uma dívida bancária de R$149 milhões e deve R$ 11 milhões a fornecedores.

 “Estamos sem insumos básicos e luvas para procedimento, uma situação nunca antes vivida”, afirma a direção.

A situação se agrava ainda mais porque o hospital está atendendo cada vez mais pessoas por conta da crise econômica. Com o desemprego, pacientes com planos de saúde passaram a depender do SUS e o orçamento do Ministério da Saúde não está levando o crescente volume em consideração. 

No começo de abril, o hospital já havia fechado as portas do pronto-socorro por falta de insumos e passou a atender só casos de emergência. 

Hospital São Paulo, na Zona Sul da cidade, poderá fechar as portas. Foto: Divulgação

Hospital São Paulo, na Zona Sul da cidade, poderá fechar as portas. Foto: Divulgação


A ameaça de fechar definitivamente as portas, segundo o hospital, veio quando o Ministério da Saúde negou pedido de aumento de verba feita esse mês.

Os recursos permitiriam a compra de materiais de insumos mais emergentes, e o pagamento de parte da dívida com fornecedores – o que permitiria o funcionamento do hospital.

“Sofre a população carente, perdem os estudantes seu espaço para o aprendizado e perdem todos que dela dependem. Aplica-se um duro golpe no sistema de saúde do SUS”, diz o texto. “Protestamos veementemente contra esta decisão governamental unilateral. Mais que tudo, doentes com atendimentos agendados poderão perder suas vidas por falta de atendimento”, concluem.

Cremesp emitiu nota de apoio

Também em nota pública, o Cremesp (Conselho Regional de Medicina de São Paulo), manifestou apoio ao hospital. “O Cremesp espera que os gestores municipal, estadual e federal busquem a rápida solução para o problema e que o Hospital São Paulo possa continuar prestando relevantes serviços à população”, diz a nota.

O Cremesp ressaltou que a crise que o hospital atravessa, assim como outros hospitais, se deve à crescente migração de usuários para o SUS. 

“O aumento da demanda de pacientes de alta complexidade assistidos pela instituição, que ingressam pelo pronto-socorro, e a desestruturação de outras unidades públicas de atendimento à Saúde, impactaram nos serviços oferecidos pelo hospital, provocando o desequilíbrio financeiro”, ressaltam. 

Ainda, a nota ressalta que muitos insumos hospitalares sofreram reajuste de preço, mas a tabela do SUS não acompanhou a correção. 

Sobre o Hospital São Paulo

O Hospital São Paulo – Hospital Universitário da Escola Paulista de Medicina (EPM, que passou a ser chamada de Unifesp), constitui um complexo de atendimento hospitalar e ambulatorial a pacientes do SUS. Foi fundado em 1933. 

O pronto socorro recebe diariamente 1500 pacientes, provenientes de São Paulo (capital e interior), das redes municipal, estadual e federal. Cerca de 40% das cirurgias lá realizadas são de pacientes oncológicos. Há atendimentos ambulatoriais de quase todas as especialidades.

Dentro do complexo hospitalar, circulam 756 alunos de graduação, 1107 médicos residentes, mais de 2000 pós-graduandos, além de estagiários de aperfeiçoamento provenientes de diversas regiões, contribuindo para a formação de especialistas para todo o país.  O curso de graduação em medicina da EPM é classificado com nota máxima pelo MEC.

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