Estudo com mulheres e homens que se separaram mostra que cuidar de si para amansar a dor do amor perdido leva o cérebro a reagir de modo mais positivo

Estudo mostra como o placebo pode ajudar pessoas que passaram por rompimentos amorosos. Foto: Puxabay / CCO

Estudo mostra como o placebo pode ajudar pessoas que passaram por rompimentos amorosos. Foto: Pixabay / CCO

Você está com o coração partido por causa de uma briga amorosa ou rompimento recente? Pois saiba que acreditar com firmeza que está fazendo algo para ajudar a si mesmo a superar o baque do rompimento  pode influenciar algumas regiões cerebrais associadas com a regulação emocional e diminuir a percepção da dor. Esse é o ponto de partida de um novo estudo que mediu o impacto do efeito placebo em um grupo de 40 voluntários que passaram por rupturas amorosas pouco antes de participar da pesquisa. 

Os pesquisadores da Universidade do Colorado Boulder, nos Estados Unidos, avaliaram efeitos neurológicos e no comportamento. “Romper com um parceiro é uma das experiências emocionais mais negativas que uma pessoa pode ter e pode ser um importante gatilho para o desenvolvimento de problemas psicológicos”, avalia Leonie Koban, principal autora do estudo e pesquisadora de pós-doutorado.O novo trabalho é o mais amplo realizado até agora para avaliar o impacto dos placebos na dor emocional da rejeição amorosa. O estudo foi publicado em março no Journal of Neuroscience.

Segundo a especialista Koban, a dor do rompimento com o/a ex, que ela classifica no âmbito das dores sociais,  está associada a um risco 20 vezes maior de desenvolver depressão no ano seguinte ao fim do relacionamento amoroso.  

“Em nosso estudo, descobrimos que um placebo pode ter efeitos bastante fortes na redução da intensidade dessa dor social”, disse Koban. Placebos, para refrescar a memória, são tratamentos sem ingredientes ativos. Estudos anteriores já comprovaram que, em algumas circunstâncias foram eficientes para aliviar a dor e outros males físicos de uma forma mensurável.

Para esta pesquisa, os investigadores recrutaram 40 voluntários que haviam vivenciado um rompimento romântico indesejado nos últimos seis meses. Eles foram convidados a trazer uma foto do/da ex-cônjugue e uma foto de um bom amigo de mesmo gênero para o laboratório de imagem cerebral.

Dentro de uma máquina de ressonância magnética funcional (fMRI), os participantes viram as imagens do ente amado perdido e foi pedido a eles que rememorassem a separação. Em seguida, foram mostradas imagens do amigo. Eles também receberam um estímulo quente no antebraço esquerdo, para mensurar a dor física.

Todos esses estímulos foram repetidos alternadamente. Nesse contexto, foi pedido aos voluntários que avaliassem como se sentiam em uma escala de 1 (muito ruim) a 5 (muito bom). Enquanto isso, a máquina fMRI rastreava sua atividade cerebral.

Embora não idênticas, as regiões que se iluminaram durante a dor física e emocional foram bastante semelhantes.

Na opinião de Tor Wager, professor de psicologia e neurociência na Universidade Colorado Boulder que orientou a pesquisa, esse achado confirma um fato e envia uma mensagem importante para as pessoas que se sentem com coração partido: “Saiba que sua dor é real. Ela é neuroquimicamente real”.

Tog Wagner, professor da Universidade do Colorado Boulder, que participou do estudo.   pesquisa. Foto: Cortesia para a UCB/Arquivo pessoal

Tog Wager, que ensina neurociência na UCB e participou do estudo. Foto: UCB/Arquivo pessoal

Depois de experimentar todas essas emoções na máquina de ressonância magnética funcional, os voluntários foram retirados do equipamento e usaram um spray nasal. Metade dos participantes da pesquisa declarou que o spray foi um “poderoso analgésico eficaz na redução da dor emocional”. A outra metade sentiu apenas que era uma solução salina simples.

Após inalar a substância, os participantes voltaram ao interior da máquina e, novamente, viram imagens dos/das ex e sujeitados aos estímulos dolorosos no antebraço. O grupo placebo não só sentiu menos dor física e sentiu melhor emocionalmente, mas seu cérebro respondeu de forma diferente quando enxergou as imagens do amor perdido.

O que mudou no cérebro

Os pesquisadores viram foi que a atividade em uma área envolvida com a modulação de emoções – o córtex pré-frontal – aumentou de modo acentuado.

Após tomarem o placebo, nos voluntários que se sentiram melhor emocionalmente o que se viu foi um aumento da atividade chamada cinza periaquedutal (PAG), situada no mesencéfalo. Essa região têm papel fundamental na regulação das quantidades de químicas cerebrais analgésicas (ou opióides) e de neurotransmissores ligados ao bem-estar, como a dopamina.

“A visão atual é que você tem expectativas positivas e elas influenciam a atividade em seu córtex pré-frontal que, por sua vez, influencia sistemas em seu mesencéfalo para gerar respostas neuroquímicas de opióides ou dopamina”, disse Wager.

Estudos anteriores mostraram que o efeito placebo por si só não só alivia a depressão, mas pode realmente fazer os antidepressivos trabalharem melhor.

“Só o fato de que você está fazendo algo para si mesmo e se envolver em algo que lhe dá esperança pode ter um impacto”, disse Wager. Ao que tudo indica, em alguns casos, “a química real da droga pode importar menos do que pensávamos”.

Vantagens reais

Os autores disseram que esse estudo não só os ajuda a entender melhor como a dor emocional se desenvolve no cérebro, mas também pode sugerir como as pessoas podem usar o poder da expectativa para sua vantagem.

Koban disse: “O que está se tornando cada vez mais claro é que as expectativas e previsões têm uma influência muito forte sobre como nos sentimos e o que percebemos”.

Assim, se você levou um for a doído recentemente, fazer qualquer coisa que você acredita que irá ajudar a se sentir melhor realmente pode funcionar, disse a pesquisadora Koban. 

 

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