Os filmes “Joaquim”, de Marcelo Gomes; “Um Casamento”, de Mônica Simões; e “Martírio”, de Vincent Carelli são destaques de abril, além da mostra Cortina Fechada

Joaquim and Blackie (Isabél Zuaa) - Copyright REC Produtores and Ukbar Filmes

Joaquim retrata as contradições do Brasil Colônia. Foto: REC Produtores and Ukbar Filmes

Consciência histórica

Estarrecido com os rumos da política nacional e em busca de reflexões, o diretor pernambucano Marcelo Gomes decidiu olhar para o passado. Seu novo filme, Joaquim, retrata as contradições do Brasil Colônia, época em que reinava a escravidão e, ao mesmo tempo, se formava a elite do País.  O longa-metragem, que concorreu ao Urso de Ouro em Berlim, é centrado na figura do herói nacional Tiradentes. Gomes, no entanto, desmistifica a aura que há em torno do alferes, apresentando-o como um homem comum, cheio de imperfeições. Protagonizado por Júlio Machado, o filme foca no período que antecede a Inconfidência Mineira (1789), retratando o cotidiano precário das vilas de Minas Gerais. O longa entra em cartaz nos cinemas no dia 20 de abril.

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O filme Um Casamento estreia no dia 18 de maio. Foto: Carolina Camara

O que as fotos não contam

Há 15  anos, Monica Simões assistiu pela primeira vez ao vídeo do casamento de seus pais. A película estava danificada, mas, entre fragmentos e borrões, a diretora viu ali o princípio de outra história, que não fora contada. Assim surgiu o filme 
Um Casamento. Nele, a personagem principal é sua mãe, Dona Maria, que, aos 80 anos, relembra a cerimônia, realizada na década de 1950.

A união durou apenas seis anos, principalmente devido à insistência de Maria em ser atriz. A separação constituiu um escândalo, numa época em que as chamadas “desquitadas” eram muito malvistas. O filme, que estreia em 18 de maio, alterna ima­gens de arquivo com os depoimentos da matriarca, expondo uma história particular que é também a de toda uma geração de mulheres oprimidas.

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O documentário Martírio, de Vincent Carelli, longa-metragem que retrata a saga dos Guarani e Kaiowá. Foto: Divulgaçã

Condenados da terra

Em setembro de 1987, o líder indígena Ailton Krenak fez um forte discurso durante a votação da Constituinte. Enquanto cobria o rosto de tinta preta, ele denunciava os massacres dos seus irmãos. “O povo indígena tem regado com sangue cada hectare dos oito milhões de quilômetros quadrados do Brasil”, afirmou Krenak. Impactante, a cena pode ser vista no documentário Martírio, de Vincent Carelli, longa-metragem que retrata a saga dos Guarani e Kaiowá pela retomada de seus territórios sagrados. Lançado em 13 de abril, o filme alterna cenas de arquivo com imagens gravadas por Carelli ao longo dos últimos 40 anos. Dessa forma, o diretor estabelece uma cronologia do genocídio que vai desde a guerra do Paraguai, em 1864, até os 13 anos do governo do PT, passando pela ditadura militar. A produção do documentário só foi possível graças aos R$ 85 mil doados via crowdfunding, método de financiamento cada vez mais adotado pelo cinema alternativo.

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O filme M, o Vampiro de Dusseldorf, de Fritz Lang, está na mostra Cortina Fechada. Foto: Reprodução

Cortinas fechadas

Durante a ditadura militar, o cinema brasileiro foi alvo constante da censura. Filmes como Macunaíma, de Joaquim Pedro de Andrade, e A Falecida, de Leon Hirszman, foram alguns dos títulos que sofreram restrições. Fora do País, a mordaça também foi expediente comum, caso da Alemanha nazista e do Macarthismo nos EUA. Com esse mote, o Sesc Vila Mariana organiza a mostra Cortina Fechada: Territórios da Arte. Dois destaques da programação são El Verdugo (1963), de Luis Garcia Berlanga, censurado pelo franquismo, e o clássico M, o Vampiro de Dusseldorf, de Fritz Lang (1931), que partiu para os EUA fugindo do nazismo. A mostra segue em cartaz em SP até julho.

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