Pesquisador da Fiocruz em Minas demonstra que bactéria Akkermansia diminui concentração de glicose no sangue. Estudo foi publicado na revista Nature Communications

Estudo da Fiocruz de Minas mostrou que a Akkermansia muciniphila, bactéria presente na microbiota intestinal, auxilia na transformação da glicose em energia para o corpo, diminuindo a concentração de açúcar no sangue. A pesquisa foi publicada na prestigiada Nature Communications.

O achado é particularmente importante para portadores do diabetes tipo 2. Esses pacientes até produzem insulina, o hormônio responsável por levar o açúcar até as células, onde será metabolizado. O problema é que a insulina liberada não consegue cumprir sua função ou sua produção é insuficiente. 

Bactéria ajuda a diminuir concentração de açúcar no sangue. Foto: CC0 Public Domain

Bactéria ajuda a diminuir concentração de açúcar no sangue. Foto: CC0 Public Domain


Ação em diabéticos

O pesquisador Gabriel Fernandes, autor do estudo, explica que a ação da bactéria em pacientes é complexa. Isso porque, inicialmente, ela tem sua função “bloqueada” pela ação do interferon-gama.

O interferon é uma proteína natural do corpo essencial para o combate de vírus e bactérias. Porém, em pacientes diabéticos, seus níveis aumentam, o que impediria a ação da “bactéria boa”. Uma maneira de contornar isso, sugere Fernandes, seria aumentando a concentração da bactéria no intestino e neutralizando o interferon. 

Primeira fase do estudo: teste em cobaias

A equipe da Fiocruz observou os resultados em cobaias incapazes de produzir o interferon-gama. Primeiro, observaram que a glicose caía só pela ação da insulina. Mas, após introduzirem a bactéria no intestino dos camundongos, notaram que o açúcar caía ainda mais.

Em um terceiro momento, no entanto,  o interferon foi introduzido; e, como mostram os resultados, os efeitos benéficos da bactéria desapareceram. 

Segunda fase da pesquisa: observação em humanos

Os cientistas também observaram a microbiota intestinal de 268 diabéticos e verificaram que existe uma correlação entre a bactéria Akkermansia e o nível de glicose do sangue. Assim, quanto maior a quantidade dessa bactéria, menor era a quantidade de açúcar circulante.

Possibilidade de tratamento

O estudo abre possibilidades para novas pesquisas voltadas para o tratamento do diabetes tipo 2. O pesquisador Gabriel Fernandes explica que um paciente com dificuldades de metabolizar o açúcar pode se beneficiar da presença da Akkemansia e de alimentos que ajudem a neutralizar a ação do interferon.

Segundo ele, um possível tratamento natural seria por meio de uso de prebióticos, mas mais estudos são necessários para demonstrar o benefício. 

Com informações de Keila Maia, da Fiocruz de Minas.

Link curto: http://brasileiros.com.br/CUSFW
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