Em Amsterdã teve até grupos especializados em “caçar” judeus em troca de recompensa financeira

Riphagen, que amealhou fortuna rastreando e denunciando pessoas – Foto: Reprodução

Riphagen, que amealhou fortuna rastreando e denunciando pessoas – Foto: Reprodução

O bonitão posando à beira-mar é o holandês Bernardus Andreas “Dries” Riphagen. Só tinha estampa. Conhecido delinquente do submundo de Amsterdã, Riphagen encarou a ocupação nazista do país como uma oportunidade para faturar. Primeiro, ele localizava judeus que haviam se escondido para evitar os campos de concentração.

Na sequência, Riphagen atuava em duas frentes. Junto aos judeus, cobrava para dar-lhes “proteção”. Quando tinha se apropriado de todos os bens, ele denunciava o esconderijo aos nazistas, para receber uma recompensa equivalente a cerca de US$ 50 por pessoa capturada. No final da guerra, conseguiu fugir do país pela fronteira com a Bélgica.

Com trajetória recentemente contada no filme Riphagen, do diretor Pieter Kuijpers, ele é símbolo de uma faceta sombria da época. Embora muitos holandeses tenham atuado na resistência ao nazismo e arriscado a vida para abrigar os perseguidos, uma parcela da população se alinhou às tropas de Hitler desde o primeiro momento da ocupação, em maio de 1940.

Tropas nazistas cruzam ponte de Amsterdã aplaudidas pela população – Foto: Reprodução

Tropas nazistas cruzam ponte de Amsterdã aplaudidas pela população – Foto: Reprodução

Entre os que colaboraram ao estilo de Riphagen destacava-se um grupo conhecido como Coluna Henneicke, que rastreou e entregou aos nazistas mais de oito mil pessoas de origem judaica. No total, estima-se que 100 mil judeus holandeses foram enviados para campos de concentração e de extermínio nazistas. No final da guerra, os sobreviventes não chegavam a 900.

Riphagen, que tinha depositado em bancos suíços a fortuna amealhada durante a guerra, morreu em Montreux, na Suíça, sem nunca ter ido a julgamento. Nos anos 1940 e 1950, viveu por longas temporadas em Buenos Aires, onde chegou a atuar para o serviço secreto do presidente Juan Domingo Perón e a organizar competições de boxe no Luna Park.

 

 

 

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