Estudo de revisão publicado no “PLos ONE” mostra que a redução do valor de alimentos saudáveis aumenta sua ingestão e ainda diminui IMC

Informação apenas pode não ser suficiente para incentivar o consumo de comida saudável. É o que sinaliza estudo que analisou o impacto do preço no consumo de alimentos em vários países. A pesquisa comprova que a redução do custo da comida saudável aumenta significativamente o seu consumo. O contrário também ocorre: quanto maior o preço, menor a ingestão. O estudo foi publicado no prestigiado PLos ONE no início do mês. 

“O sistema de alimentos como está hoje tem um impacto negativo grande na saúde humana, e isso é muito caro, tanto em termos de despesas reais de saúde quanto de perda de produtividade”, disse o principal autor, Dariush Mozaffarian, reitor da Friedman School, em Boston, nos Estados Unidos.

A relação não é nova. Muitas políticas públicas já foram feitas no mundo nesse sentido. A Dinamarca, por exemplo, sobretaxa produtos com alto teor de açúcar. O que a pesquisa fez, no entanto, foi analisar o impacto disso – e descobriu que ele é maior do que se pensa.

comidasaudavel
A pesquisa é uma revisão (quando outros estudos são analisados). Um total de 30 outras investigações foram inclusas: 11 avaliavam o impacto de preços mais altos (impostos); e 19 verificavam o efeito de preços mais baixos (subsídios). O que os pesquisadores encontraram:

- Cada redução de 10% no preço de frutas e legumes aumentou seu consumo em 14%;

- O índice foi maior em relação a outros alimentos saudáveis: com um preço 10% menor, o consumo aumentou em 16%;

- A variação de preço de frutas e legumes também foi associada a um menor IMC (Índice de Massa Corporal): para uma queda de 10%, o IMC caiu em 0,04 kg/m2.

Ainda, os pesquisadores demonstraram que a mudança no comportamento de consumidores pode ocorrer em um curto espaço de tempo. 

As populações do estudo incluíram crianças, adultos ou ambos. As pesquisas foram feitas nos Estados Unidos, Holanda, França, Nova Zelândia e África do Sul. As intervenções de mudança de preços foram realizadas em vários ambientes: cafeterias, máquinas de venda automática e supermercados.

Os pesquisadores também avaliaram os efeitos de um aumento de preço de bebidas com alto teor de açúcar. Os resultados foram: 

- Cada aumento de 10% no preço das bebidas açucaradas diminuiu seu consumo em  7% e 3%, respectivamente.

- Cada aumento de 10% no preço de alimentos e bebidas não saudáveis ​​foi associado a uma tendência de menor IMC (por 10% de aumento de preços: -0,06 kg / m2).

“Nossos resultados sugerem que os subsídios e os impostos são uma ferramenta altamente eficaz para normalizar o preço dos alimentos em direção a seus verdadeiros custos sociais, o que não só irá prevenir a doença, mas também reduzir a espiral de custos de saúde”, conclui Mozaffarian. 

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