Médicos da família não sabem lidar com o problema, avalia estudo. A dificuldade aumenta quando homens abusadores pedem ajuda para parar de cometer o abuso

Médicos que atuam na área da medicina de família sentem-se despreparados para atender pacientes que cometem violência doméstica ou violência por parceiro íntimo (IPV, na sigla em inglês). Os achados foram publicados no Journal of American Board of Family Medicine.

O IPV é um problema de saúde pública grave e evitável que afeta milhões de pessoas. O termo “violência de parceiro íntimo” descreve danos físicos, sexuais ou psicológicos feitos por um parceiro atual ou ex-cônjuge. Pode ocorrer entre casais heterossexuais ou do mesmo sexo e não, necessariamente, requer intimidade sexual.

Apesar do impacto na vida das pessoas, sistema de saúde tem evitado lidar com a questão, diz estudo. Foto: CC0 Public Domain

Apesar do impacto na vida das pessoas, sistema de saúde tem evitado lidar com a questão, diz estudo. Foto: CC0 Public Domain


O estudo foi feito por pesquisadores das Escolas de Medicina da Universidade de Boston (BUSM) e da Saúde Pública (BUSPH) e do Boston Medical Center (BMC). Para chegar aos resultados, eles realizaram entrevistas com médicos da atenção básica. 

A maioria dos profissionais relatou ter tido conhecimento da violência por meio da vítima, que também é paciente. No entanto, vários profissionais informaram que alguns homens revelam a violência perpetrada a fim de obter ajuda.

Quando se depararam com uma situação de violência (seja por relato da vítima, seja pelo pedido de ajuda do abusador), esses médicos descreveram que se sentiram totalmente despreparados para lidar com a situação. O despreparo foi ainda maior quando autores masculinos do IPV pediram ajuda para abordar seu comportamento abusivo.

“Nossas descobertas de que os médicos têm falta de treinamento para intervir com os autores de IPV é consistente com pesquisas recentes que mostraram que apenas 23% dos programas de treinamento de residência de medicina familiar incluem qualquer formação sobre como responder a questões associadas ao abuso”, explicou Brian Penti, professor assistente de medicina da família em BUSM e um dos autores da pesquisa. 

De acordo com o pesquisador, apesar da prevalência do abuso e seu impacto sobre as vítimas e seus filhos, o sistema de saúde tem evitado em grande medida abordar a questão, mesmo que estes homens muitas vezes tenham acesso à saúde. 

Pesquisas adicionais são necessárias para identificar melhor os autores de IPV e desenvolver intervenções eficazes, salientam os autores. É necessário que um fluxo seja desenvolvido para ajudar esses homens a obter a ajuda que precisam para interromper os comportamentos abusivos.

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