Três livros abordam instituição mineira em imagens e textos que respeitam sua complexidade

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Inaugurado há dez anos
, Inhotim carecia de uma publicação que fizesse justiça à sua complexidade. Apesar de ser, no Brasil, o melhor centro de arte contemporânea, com um acervo em exposição sem comparação, Inhotim está longe de ser um museu convencional, assim como também não é meramente jardim botânico com obras de arte dispostas em seu espaço.

Lá, afinal, estão representados nada menos que 28% de todas as famílias botânicas que há no mundo, segundo a própria instituição divulga. Mas Inhotim tampouco é o resultado da soma de uma coleção e um jardim. Afinal, todo o entorno também conta, sejam as casinhas de cada terreno adquiridas para o parque, hoje transformadas em espaço expositivo, seja o ambiente de extração de minério de ferro, com o trem e o solo enferrujado.

Todas essas questões reúnem-se agora em três publicações, que, juntas, formam um quadro amplo e visualmente impressionante e que (o que é melhor) têm tudo a ver com as marcas de Inhotim. Não se trata de um catálogo, mas de um conjunto de livros que exploram toda a diversidade do centro mineiro.

A maior publicação, Inhotim, um Estado de Espírito, é um ensaio visual pelo olhar de três fotógrafos (Camilla Coutinho Silva, Nelson Kon e Ricardo Azoury) e tem um texto ensaístico bem-humorado, repleto de informações precisas de Inhotim, escrito por Humberto Werneck.

Imagem das publicações.

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Das 234 páginas, 90% são de imagens deslumbrantes (e não há como fugir do adjetivo aqui), com destaque para vistas aéreas, que dão a Inhotim uma nova leitura, mesmo a quem está acostumado a caminhar pelo parque. Dois outros livros, menores no formato, ambos também repletos de imagens, complementam a trilogia: Artenatureza, Inhotim Espaço Tempo e Futuromemória, Inhotim Tempo Espaço.

O primeiro apresenta os trabalhos de arte em ordem cronológica de aquisição, iniciando-se com Deleite, de Tunga, adquirida em 2000 por Bernardo Paz, o criador de Inhotim. Entre as páginas que tratam das obras de arte, outras são dedicadas às dezenas de plantas lá existentes, tornando a publicação algo semelhante com a experiência que se tem em Inhotim.

Futuromemória, com o principal texto escrito pelo crítico Frederico Morais, explora toda a diversidade da história da região de Brumadinho, desde a chegada dos bandeirantes até a exploração do minério de ferro, passando pela presença dos escravos.
Essa contextualização é essencial para tratar das particularidades do local, mas o livro ainda possui outra abordagem importante: ele retrata diversos personagens de Inhotim, como educadores e jardineiros, isto é, trabalhadores de Inhotim com menos visibilidade que os artistas reconhecidos, mas que são os responsáveis por sua manutenção diária e o tornam um lugar vivo. É uma justa homenagem.

As três publicações têm concepção de Anna Dantes e, de certa forma, replicam a descrição que Paz faz de sua instituição em um dos textos: “As pessoas que entram em Inhotim estressadas, após uma viagem de 1h30, em duas horas se transformam
em crianças e são capazes de conversar honestamente”. Passar pelos livros é, de fato, quase como passar pela experiência que se tem em Inhotim, só que sem o estresse da viagem.

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