Relatório cruzou dados de empresas com horas dormidas e mostrou que o impacto da privação do sono pode chegar a 1,2 milhões de dias úteis perdidos

A privação do sono entre a população trabalhadora dos Estados Unidos está custando à economia americana até US$ 411 bilhões por ano (2,28% do PIB do país), aponta levantamento da organização sem fins lucrativos RAND. O impacto negativo ocorre porque o pouco tempo de sono tem efeito direto na produtividade e mortalidade. Segundo a pesquisa, ficar sem dormir aumenta o risco de morrer em 13% e leva os EUA a perder cerca de 1,2 milhões de dias úteis por ano.

As perdas de produtividade no trabalho ocorrem por meio de uma combinação de absenteísmo, empregados que não estão no trabalho; e presentismo, funcionários que até estão presentes, mas não estão produzindo. O estudo usou um grande conjunto de dados de empresas e informações sobre a duração do sono de americanos para quantificar os efeitos econômicos. 

Um expresso duplo à noite atrasa sono em 40 minutos. Foto: Ingimage

Estudo mostra que a falta de sono pode abalar também a saúde da economia. Foto ilustrativa/Ingimage


Uma pessoa que dorme em média menos de seis horas por noite tem um risco de mortalidade 13% maior do que alguém que entre sete e nove horas, diz o estudo.

Para os que dormem entre seis e sete horas, esse risco é de 7%. Dormir entre sete e nove horas por noite, segundo os pesquisadores, é o ideal.

No mais, aumentar o sono noturno de menos de seis horas para entre seis e sete horas poderia adicionar US$ 226,4 bilhões anuais para a economia dos EUA.

“Nosso estudo mostra que os efeitos da falta de sono são enormes. A privação do sono não só influencia a saúde e o bem-estar de um indivíduo, mas tem um impacto significativo sobre a saúde de um país”, afirmou Marco Hafner, pesquisador da RAND Europe, em nota. 

Em outros países

A pesquisa foi feita também em outros lugares do mundo. No Japão, a privação de sono custa US$ 138 bilhões (2,92% de seu PIB), e cerca de 600.000 dias de trabalho perdidos. Na Alemanha, até US $ 60 bilhões, (1,56% de seu PIB) e pouco mais de 200 mil dias de ausência. No Reino Unido, até US $ 50 bilhões (1,86% de seu PIB) e pouco mais de 200.000 de dias perdidos.

O Canadá foi a nação com os melhores resultados de sono, mas ainda tem perdas financeiras e de produtividade significativas (até US $ 21,4 bilhões, que é de cerca de 1,35% de seu PIB e pouco menos de 80.000 dias de trabalho perdidos).

Como melhorar os indicadores?

Para melhorar os resultados do sono, o relatório descreve uma série de recomendações para indivíduos, empregadores e autoridades:

Indivíduos: Definir horários consistentes para dormir e acordar; limitar o uso de itens eletrônicos antes de deitar; e fazer exercício físico durante o dia.

Empregadores: Reconhecer a importância do sono e o papel do empregador na sua promoção; projetar e construir espaços de trabalho com instalações para cochilos diurnos; combater os riscos psicossociais no local de trabalho; e desencorajar o uso prolongado de dispositivos eletrônicos após o horário de trabalho.

Autoridades: Apoiar os profissionais de saúde na prestação de assistência relacionada com o sono; encorajar os empregadores a prestarem atenção às questões do sono; e introduzir horários mais tardios para o início da atividade escolar.

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