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Saúde LGBT após os 50 é mais frágil, sugere estudo

A maior pesquisa já feita revela que a existência ou a falta de suporte social e preconceito interferem no grau de adesão dessa população aos tratamentos de saúde

Estudo pioneiro conduzido pela Universidade de Washington, nos Estados Unidos, acaba de apontar que a população LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros) apresenta taxas mais altas de doenças cardiovasculares, depressão e isolamento social no seu processo de envelhecimento.  Seu objetivo é entender os tópicos críticos, desafios e necessidades de um grupo que cresce e é, ainda, pouco estudado.

Este acompanhamento das condições de saúde e bem-estar LGBT, chamado de Aging with Pride: National Health, Aging, and Sexuality/Gender Study, é o maior já realizado. A equipe pesquisou 2.450 adultos com idades entre 50 e 100 anos por cerca de sete anos para avaliar o impacto de fatores históricos, ambientais, psicológicos, sociais, comportamentais e biológicos sobre a saúde e bem-estar do grupo. 

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Falta de suporte social aumenta a dificuldade de aderir a tratamentos, especialmente se houver depressão. Foto: Universidade do Missouri

O esforço de investigação, financiado pelo governo norte-americano, avaliou o papel das redes sociais, a saúde mental, o consumo de álcool e engajamento de saúde. Todo o material levantado rendeu  um suplemento com 10 artigos recentemente publicados pelo jornal The Gerontologist.

Entre os achados, os estudos evidenciaram que a existência ou a falta de suporte social à pessoa LGBT influi nas taxas de consumo de bebidas alcoólicas. Aproximadamente 20% dos adultos LGBT mais velhos, por exemplo, relataram padrões de consumo de bebidas alcóolicas que indicam alto risco. O preconceito também pesa na saúde. Ele prejudica, por exemplo, a adesão aos tratamentos de doenças agudas e crônicas, especialmente.  Atrapalha, por exemplo, a construção de uma boa relação entre o médico e  o paciente. 

Outro trabalho viu que o estigma da identidade está relacionado de forma importante com o aparecimento de sintomas depressivos em idosos transexuais.  A pesquisa descobriu ainda que, nos Estados Unidos, ter um histórico anterior de serviço militar funcionou como um atenuante da relação entre o estigma da identidade os sintomas depressivos. Os especialistas discutem agora orientações para uma futura pesquisa que explore de que modo o serviço militar anterior pode contribuir para a resiliência e resultados positivos de saúde mental nesse grupo.Não se sabe se esse achado pode ser transposto para outras culturas. 

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Atendimento à pessoa transexual em Los Angeles, nos Estados Unidos. Foto: Divulgação

“As descobertas deste estudo do envelhecimento entre os adultos mais velhos LGBT podem aprofundar nossa compreensão sobre a riqueza, a diversidade e resiliência desse grupo durante todo o curso da vida”, disse Karen Fredriksen-Goldsen, principal autora do trabalho e diretora do centro de excelência Health Generation, ​​da Universidade de Washington. “É importante entender que essas comunidades são diversas e os grupos enfrentam desafios distintos para a sua saúde.”

População crescente

Nos Estados Unidos, cerca de 2,7 milhões de adultos com 50 anos ou mais se auto-identificam como LGBT.

As estimativas populacionais indicam que esse número deve chegar a mais de cinco milhões em 2060. Hoje, cerca de 1,1 milhão de pessoas estão acima dos 65 anos.

Os dados disponíveis e cientificamente comprovados sobre a saúde do grupo LGBT ainda são escassos. A maioria dos estudos abordou políticas de saúde existentes para essa população e questões econômicas ou educacionais, como o desenvolvimento das crianças educadas em lares LGBT.  

 

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