O escritor angolano José Eduardo Agualusa fala de sua relação afetiva com a publicação portuguesa

Foto: Reprodução/Facebook

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Todo mês convidamos uma personalidade do universo cultural para escolher algum
artista ou obra que tenha sido especialmente marcante em sua vida.

Nesta edição, o escritor angolano José Eduardo Agualusa fala de sua relação afetiva com a Enciclopédia Ilustrada Luso-Brasileira, publicada pela editora portuguesa Lello.

“Existem dois volumes da Enciclopédia Ilustrada Luso-Brasileira, da editora Lello, que os meus pais me ofereceram quando eu era criança, e que durante muitos anos eu li todos os dias, fascinado pela descoberta de palavras novas. Eles faziam parte de uma coleção de enciclopédias do mundo intitulada Lello Universal. Perdi os livros durante a guerra civil de Angola, mas voltei a ganhá-los de presente de aniversário, há poucos anos, dos meus pais, que sabiam o quanto eu amava aqueles volumes.

Eles vasculharam todos os sebos de Portugal até encontrarem para mim. Ainda hoje me fascinam as ilustrações, a tinta da china, as cores. É fascinante também descobrir referências a personalidades que, na época, há 80 anos, ainda estavam vivas, ou que haviam morrido fazia pouco tempo, como Fernando Pessoa, que morrera sem grande rumor, merecendo apenas cinco linhas, e Adolf Hitler, então um estadista alemão ‘respeitado’. Pode ser que o meu interesse pelo Brasil tenha surgido por causa dela também. Mas foram as palavras, com certeza, que me encantaram.”

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