Diplomata brasileiro avalia que mais determinante serão as reações às possíveis aberturas de Trump em relação a Putin

Churkin morreu na segunda-feira, enquanto trabalhava em Manhattan, de causas não divulgadas

Churkin morreu na segunda-feira, enquanto trabalhava em Manhattan, de causas não divulgadas


A morte abrupta do embaixador russo nas Nações Unidas Vitaly I. Churkin acontece em um momento crítico na dinâmica do país com os EUA, justamente quando esse é acusado de interferir nas eleições presidenciais norte-americanas e Donald Trump demonstra renovado interesse por Vladimir Putin.

Churkin morreu na segunda-feira enquanto trabalhava em Manhattan, na véspera de completar 65 anos, de causas não divulgadas. A polícia de Nova York afirma que, até o momento, não há indícios de morte suspeita. Relatos na imprensa internacional dão conta de que Churkin se ausentava mais que o comum de reuniões do Conselho de Segurança recentemente.

Procurado por Brasileiros, o diplomata brasileiro, ex-chanceler e ex-ministro da defesa Celso Amorim avalia que a morte de Churkin não deve afetar as relações entre Washington e Moscou:

“Mais importante é avaliar as reações às possíveis aberturas de Trump em relação a Putin. Enquanto muitos (inclusive aparentemente o ‘estado profundo’) querem ver no governante russo um adversário que tem que ser contido ou combatido, outros, como Zbigniew Brzezinski, reconhecem a necessidade de um diálogo com Moscou (mesmo com ressalvas) para o equilíbrio mundial”.

“A questão é saber se a pressão do establishment que comanda e/ou inspira a diplomacia norte-americana (agências de segurança, departamento de estado, think tanks poderosos e – não dá para não mencionar – os grandes veículos de comunicação) vai ‘dobrar’ o presidente”, prossegue Amorim.

Em matéria dos novos mega-acordos regionais, à exceção do México, o diplomata afirma que “boa parte do que se pode chamar de esquerda nos EUA (Bernie Sanders inclusive) não pensa de outro modo, embora talvez não possa expressar isso agora”. “Em matéria de relações com a Rússia, o realismo tosco de Trump é menos nocivo que o pseudoidealismo dos defensores (democratas e republicanos) do espírito de “cruzada”, conclui.

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