O padre Antônio Vieira, que passou a vida entre o Brasil e Portugal, já pregava contra a corrupção no século XVII

Padre Antônio Vieira, o Paiaçu - Foto: Divulgação

Padre Antônio Vieira, o Paiaçu – Foto: Divulgação

O Sermão do Bom Ladrão foi proferido em 1655, mas não poderia ser mais atual. No púlpito da antiga Igreja de Nossa Senhora da Misericórdia, em Lisboa, diante de D. João IV e sua corte, o padre Antônio Vieira (1608-1697) disparou contra todos aqueles que enriqueciam às custas da apropriação de bens públicos.

“O ladrão que furta para comer, não vai nem leva ao inferno: os que não só vão, mas levam, de que eu trato, são outros ladrões de maior calibre e de mais alta esfera; os quais debaixo do mesmo nome e do mesmo predicamento distingue muito bem São Basílio Magno”, pregou Vieira.

“Não são só ladrões, diz o santo, os que cortam bolsas, ou espreitam os que se vão banhar para lhes colher a roupa; os ladrões que mais própria e dignamente merecem este título são aqueles a quem os reis encomendam os exércitos e legiões ou o governo das províncias, ou a administração de cidades e reinos.”

Vieira, que era conhecido entre os indígenas brasileiros como Paiaçu (Grande Pai, em tupi), lembrou em outro trecho do sermão o filósofo grego Diógenes (413-323 a.C.): “Diógenes, que tudo via com mais aguda vista que os outros homens, viu que uma grande tropa de varas (juízes) e ministros de justiça levavam a enforcar uns ladrões e começou a bradar: “Lá vão os ladrões grandes enforcar os pequenos”.

Diz a lenda que Diógenes, filósofo que vivia como mendigo e fazia da pobreza uma virtude, vivia num barril e perambulava pelas ruas carregando uma lamparina, argumentando estar à procura de homens virtuosos.

O Sermão do Bom Ladrão foi proferido em 1655 - Foto: Reprodução

O Sermão do Bom Ladrão foi proferido em 1655 – Foto: Reprodução

 

 

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