José Carvalho da Silva é acusado de receber dinheiro da facção Frente do Norte. Denúncia foi feita por meio de carta à Justiça do Amazonas 18 dias antes do massacre em Manaus

Batalhão de choque em frente ao complexo Anísio Jobim, em Manaus. Foto: reprodução

Batalhão de choque em frente ao complexo Anísio Jobim, em Manaus. Foto: reprodução

O governador José Melo (PROS), do Amazonas, anunciou hoje, 10, a exoneração do diretor interino do Complexo Penitenciário Anísio Jobim, palco do massacre de 56 detentos na madrugada do dia 1º. de janeiro. José Carvalho da Silva é acusado por dois presos de receber dinheiro da facção criminosa Família do Norte para facilitar a entrada de drogas, armas e celulares no presídio.

As denúncias foram feitas por meio de cartas enviadas à Justiça do Amazonas no dia 14 de dezembro do ano passado por dois presos mortos no massacre. Além da denúncia, os detentos diziam que estavam sendo perseguidos por José Carvalho porque ele saberia que alguns detentos conheciam a sua suposta ligação com o grupo criminoso.

Em nota, a Secretaria de Estado da Administração Penitenciária do Amazonas informou que abriu uma sindicância para apurar as acusações.

Reforço

Chegaram hoje, 10, a Manaus os primeiros agentes da Força Nacional de Segurança Pública que vão ajudar as forças policiais a tentar conter a crise no sistema penitenciário amazonense.

O pedido de reforço de pessoal e de equipamentos foi feita pelo governador José Melo no último domingo, 8, depois das mortes em três unidades prisionais da cidade – ao todo, foram 64 mortes.

O ministro Alexandre de Moraes, da Justiça, autorizou ainda o envio de tropas da Força Nacional para Roraima, onde 33 detentos também foram mortos, na última sexta-feira, 6, na Penitenciária Agrícola de Monte Cristo.

Em novembro do ano passado, depois de um confronto entre presos ligados ao grupo criminoso Primeiro Comando da Capital e ao Comando Vermelho, resultando na morte de dez detentos da mesma penitenciária, a governadora Suely Campos (PP) pediu ajuda federal, mas seu pedido foi negado. Mas agora, de acordo com o ministério, cem agentes irão atuar no estado, ajudando na recaptura de presos foragidos, vigilância e segurança nas barreiras policiais nas estradas, além de escolta de presos.

Além do Amazonas e de Roraima, outros cinco estados pediram apoio federal: Acre, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rondônia e Tocantins.

(Com Agência Brasil)

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