Após ser interrogada por seis horas nesta quinta, Bruguera foi liberada pela polícia; artista já foi presa na ilha em 2015

A artista cubana Tania Bruguera. Foto: Hector Martinez

A artista cubana Tania Bruguera. Foto: Hector Martinez

A artista cubana Tania Bruguera foi detida e interrogada em Cuba na tarde da última quinta-feira, 12. Segundo o The Art Newspaper, Bruguera estava viajando de carro de Havana até a cidade de Baracoa para levar alimentos às vítimas do Furacão Matthew, ocorrido em 2016.

Ela e seu acompanhante, o cientista Oscar Casanellas, foram parados pela polícia para uma inspeção veicular e checagem dos documentos. Depois de ser interrogada por seis horas, Bruguera foi liberada, mas impedida de ir até Baracoa.

A artista, que atualmente vive em Nova York, já teve problemas com o governo cubano anteriormente. Em janeiro de 2015, ela foi presa após realizar a performance Sussurro de Tatlin #6 na Praça da Revolução, em Havana.

Na ação, ela convidava o público a falar sobre qualquer assunto durante um minuto. Enquanto isso, homens fardados colocavam uma pomba nos ombros das pessoas, numa alusão à famosa fotografia de Fidel Castro em seu discurso de vitória da Revolução Cubana.

Acusada de “praticar desordem”, a artista foi presa e solta 20 horas mais tarde, mas teve seu passaporte e computador confiscados e foi impedida de deixar a capital cubana até agosto de 2015. Durante este período, ela permaneceu em prisão domiciliar e chegou a fazer, em sua casa, uma performance em que lia As Origens do Totalitarismo, da filósofa Hannah Arendt.

Famosa por suas produções politizadas, Bruguera é tida como um dos nomes mais polêmicos do cenário artístico atual, tendo participado de mostras como a Bienal de Veneza e a Documenta, em Kassel, na Alemanha.

Em entrevista à Folha de S. Paulo, ela comentou a recente abertura política de Cuba: “Este é o momento de criar estruturas cívicas de longo prazo, para que Cuba não volte a ser o cassino que era antes. Vamos importar só os McDonald’s e turistas bêbados para urinar no monumento a José Martí ou também a tradição da luta por direitos civis dos Estados Unidos?”, questionou.

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