Agarrar-se a comportamentos que aumentam a autoestima, como o hábito de comprar para se sentir bem, é uma tentativa de lidar com a mortalidade, avaliam pesquisadores

Notícias de ataques terroristas, de queda de avião, de violência e exposição a fatores que influenciam pensamentos sobre a morte estão associados à compulsão por compras. O mecanismo, descrito por pesquisadores da John Molson School of Business (JMSB) e HEC Montréal, no Canadá, mostra um interessante circuito que é ativado durante esse processo.

A raiz dessa associação, descrevem os autores do estudo, está no modo como os indivíduos obtêm autoestima. Isso porque a relação entre pensar sobre a morte e consumo foi percebida em pessoas que já têm compulsão por compras. Aqueles que valorizam estilos de vida mais contidos não expressaram os mesmos comportamentos.

“Estudos anteriores demonstraram que pensamentos sobre a morte levam indivíduos a defender fortemente suas visões de mundo para manter a autoestima”, diz Michel Laroche, um dos autores do estudo publicado no Journal of Consumer Affairs, em material de divulgação.

Uma das maneiras de lidar com a mortalidade, diz Laroche, é por meio do fortalecimento da autoestima que, por sua vez, encontra sua força nas crenças e valores de cada indivíduo.

Comprar é uma das maneiras de lidar com pensamentos sobre o fim da vida. Foto: Creative Commons/Public Domain

Comprar é uma das maneiras de lidar com pensamentos sobre o fim da vida. Foto: Creative Commons/Public Domain


Como foi o estudo

Para chegar a esses resultados, os pesquisadores selecionaram 503 estudantes universitários que responderam questionários para identificar sua tendência a resistir ao consumo. Depois, os voluntários foram aleatoriamente designados para um de dois grupos: um pensou sobre a morte, o outro era um grupo controle, que não precisava se concentrar sobre o mesmo tema. 

1 – No primeiro grupo, os participantes foram convidados a descrever o que sentiam se estivessem morrendo; 

2 – No segundo grupo, voluntários relataram o que sentiam se fossem submetidos a um doloroso procedimento odontológico.

Depois, participantes de cada grupo indicaram sua inclinação para comprar uma série de produtos. Com isso, pesquisadores conseguiriam identificar se a presença de pensamentos sobre a morte exercia ou não influência no aumento ou na redução do consumo.

“Nossa expectativa era que os indivíduos anticonsumo se tornassem ainda mais inclinados a resistir às compras, o que indicaria que, para eles, a resistência era uma fonte importante de autoestima”, diz Marcelo Nepomuceno, outro autor do estudo, em nota.

Não foi o que os pesquisadores encontraram, no entanto. Enquanto os pensamentos sobre morte aumentam o desejo de compras naqueles indivíduos inclinados à compulsão, eles não exercem influência alguma dentre os que não têm essa tendência.

Segundo os autores, o estudo é particularmente interessante para o estudo da compulsão e até para indivíduos que tentam driblar o problema.

“Uma pessoa que sabe que os pensamentos de morte podem levar ao excesso de consumo está agora em posição de evitar se expor a tais pensamentos antes de fazer compras”, disse o pesquisador Laroche.

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