Mostra sobre o coletivo Art & Liberty Group, composto por escritores, artistas e ativistas políticos, traz uma nova luz sobre o modernismo e o surrealismo no Egito

Portrait of Space, Al Bulwayeb, Near Siwa, Egypt

“Portrait of Space, Al Bulwayeb, Near Siwa, Egypt” (1937), Lee Miller

A exposição Art et Liberté: Rupture, Guerre et Surréalisme en Egypte (1938/1948), que permanecerá até janeiro de 2017 no Centre Georges Pompidou, em Paris, é a primeira mostra conceitual  sobre o Art & Liberty Group, importantíssimo coletivo de escritores, artistas e ativistas políticos que cumpriram um papel fundamental na cultura do Cairo nos anos 1930, durante a oposição ao fascismo, ao nacionalismo e ao colonialismo do Império Britânico.

Concebida pelos curadores convidados Sam Bardaouil e Till Fellrath, e patrocinada pela Montblanc Cultural Foundation, a mostra traz uma nova luz sobre o Modernismo e o Surrealismo no Egito. A exposição reúne uma cuidadosa seleção de peças iconográficas do período, entre manuscritos, vídeos e fotos inéditas.

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“Sans Titre (1943), Huile Sur Toile”, Ramsès Younane,

O grupo trabalhava com um profundo sentimento de liberdade, com uma linguagem literária e pictórica contemporânea extremamente envolvida com as questões globais, mas também enraizada em preocupações artísticas e políticas locais. Apesar de o Egito não ter estado no front da guerra, desde 1941 cerca de 140 mil soldados ficaram sediados no Cairo.
O movimento surrealista que então surgia na Europa como um movimento libertário parecia ser o caminho teórico a seguir mais próximo de uma nova crítica à moral social. O grupo, porém, cunhou uma nova tendência que se denominou Realismo Subjetivo. Um dos dirigentes do movimento, o pintor e escritor Ramses Younane, entendia o surrealismo como um movimento em crise e identificava dentro dele duas linhas claras. A primeira, personificada em Dalí e Magritte, que considerava uma expressão excessivamente premeditada, que não deixava espaço para uma imaginação mais descontrolada. E a segunda seriam expressões muito focadas na escrita e num desenho muito técnico, autocentrado e pouco envolvido com questões coletivas.

O Realismo Subjetivo estaria mais interessado em incorporar símbolos reconhecíveis dentro dos trabalhos e que fossem dirigidos por impulsos inconscientes. Principal mentor do grupo, o poeta Georges Henein nasceu no Cairo. Filho de pai diplomata e mãe ítalo-egípcia, foi criado na Itália, França e Espanha. Sua obra Bilan du Mouvement Surréaliste, de 1937, marcou o início do movimento surrealista egípcio. Logo em seguida, foi um dos responsáveis pela publicação do manifesto do grupo, Vive l’árt Dégénéré.

Como um dos traços mais importantes deste movimento observa-se a forte inter-relação entre a literatura e as artes visuais. Vários dos textos de Heinen foram inspiração para as obras dos artistas plásticos Kame el-Telmissany e Amy Nimr. Durante os anos 1940 o grupo lançou ainda vários jornais, dentre eles Don Quichotte, em francês e árabe.

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