Artista brasileiro Rodrigo Braga, selecionado pelo SAM Projects, ocupa delicadamente as fontes e escadarias do Palais de Tokyo e do Musée d’Art Moderne de la Ville de Paris

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Vista da site-specific. Crédito: Helio Campos Mello


Rodrigo Braga
, artista manauara, cresceu no Recife, Pernambuco, e, criado às margens do rio Capibaribe, sempre teve uma íntima relação com a natureza. Seu trabalho, que envolve diferentes técnicas e linguagens, está obsessivamente contaminado pela sua pesquisa e reflexão da relação homem-natureza. Desenho, pintura, escultura, fotografia e vídeo formaram a geração que se graduou em 2002 na escola de Artes Plásticas da Universidade Federal de Pernambuco. Para Rodrigo, “uma geração que cresceu pouco influenciada pelo mercado, inexistente na época no Recife, e muito beneficiada por projetos de incentivos culturais”.

Prêmios e bolsas como o Estímulo à Criação Artística, o Prêmio Marc Ferrez de Fotografia, a Bolsa da Fundação Joaquim Nabuco – Fundaj (Recife, 2007), o Prêmio de Artes Plásticas Marcantonio Vilaça Funarte/MinC e a Rede Nacional de Artes Visuais foram determinantes para o desenvolvimento da sua carreira. É, porém, a partir da sua participação com a obra Tônus (1, 2 e 3) – videoinstalação de 2012 – na 30ª Bienal de São Paulo, intitulada A Iminência das Poéticas, que Braga começa a ser visualizado internacionalmente. Em 2014, ganha  o Prêmio PIPA.

Detalhe da obra. Crédito: Patrícia Rousseaux

Detalhe da obra site-specific. Crédito: Patrícia Rousseaux

Laurent Le Bom, diretor do Musée Picasso e um dos membros do Comitê de seleção da SAM Projects, organização de suporte à arte contemporânea – fundada e dirigida pela brasileira Sandra Hegedüs Mulliez e que já patrocinou artistas do mundo todo para desenvolver site specifics na França –, sugeriu seu nome para realizar um projeto em 2015, levando em consideração sua obra e o momento da sua trajetória. Antes dos quatro meses que passou trabalhando específicamente no projeto, Rodrigo perambulou pela cidade. “Durante minha primeira estada em Paris vi uma cidade dominada pela cor da areia e, olhando detalhadamente, me impressionou os inúmeros organismos incrustados nas pedras que constroem os muros e as colunas da cidade. Poderiam ser pequenas conchas ou vestígios delas. Isto me fez pensar no mar, um mar que um dia esteve lá”, diz Braga.

A ideia de “trazer o mar de volta” para Paris o levou a querer manipular, esculpir e trasladar 45 pedras irregulares, de toneladas, que trouxeram com enorme força a história e a geologia da cidade, situada onde já foi uma bacia marítima há 45 milhões de anos. A partir daí, em parceria com o Palais de Tokyo de Paris, a Rocamat Pierre Naturelle, que cedeu as pedras brutas, a France-Lanord & Bichaton, uma fábrica de restauro em Nancy que se transformou no seu ateliê, e a colaboração da Construtora Bouygues Bâtiment Île-de-France, que cedeu equipamentos pesados para a logística operacional, o projeto delicadamente planejado ocupou as fontes e escadarias do Palais de Tokyo e do Musée d’Art Moderne de la Ville de Paris.


SAM Projects

Residente há mais de 25 anos em Paris, Sandra Hegedus Mulliez criou uma forma muito particular de mecenato. Com investimento pessoal,  excelente gestão de parcerias e uma ampla rede de colaboradores, viabiliza bolsas e o desenvolvimento de projetos sites specifics na França e em outros países do mundo.

“A SAM Projects não tem um espaço próprio, a ideia é fazer parcerias com espaços públicos, como, por exemplo, o Palais de Tokyo, que está investindo pesadamente em arte contemporânea, e junto a eles criar a oportunidade de apresentar trabalhos inéditos de artistas jovens, mas com uma carreira sólida. Não tenho uma recompensa econômica com isto, nem fico com obras do artista em contrapartida. Para mim, o verdadeiro prazer está em poder acompanhar os projetos desde a idealização até o fim”, diz Sandra.

A organização tem um comitê de seleção de projetos que discute todo ano os artistas e o prêmio que eles concedem. Em média são quatro artistas por ano para os projetos que têm um tempo de maturação e execução diferente. O investimento é da ordem dos 400 mil euros por ano. Já participaram da iniciativa os artistas argentinos Eduardo Basualdo, Ana Gallardo, Adrián Villar Rojas e os brasileiros Henrique Oliveira e agora Rodrigo Braga.

Link curto: http://brasileiros.com.br/M5Dhe
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