Estudo faz uma revisão de 182 pesquisas e divulga importante levantamento sobre a relação dos alimentos com as dores de cabeça persistentes

Há duas abordagens diferentes para a prevenção das dores de cabeça com a dieta. Em uma delas, evita-se o consumo de alimentos e bebidas considerados “gatilhos” para a dor – como o álcool e o glutamato, por exemplo. Uma outra abordagem é atuar no sentido da prevenção, com dietas mais restritivas que tentam evitar que as dores venham a ocorrer.

Essas são as duas linhas encontradas em estudo publicado no The Journal of Head and Face Pain. que revisou outros 182 estudos já publicados sobre a relação entre a enxaqueca e alimentos. O trabalho foi feito por Vincent Martin e Brinder Vij, médicos e professores da Universidade de Cincinnati. 

O papel da dieta na enxaqueca é objeto de estudo. Evitar determinados alimentos pode contribuir para diminuir dores. Foto ilustrativa/Creative Commons

O papel da dieta na enxaqueca é objeto de estudo. Evitar determinados alimentos pode contribuir para diminuir dores. Foto ilustrativa/Creative Commons


Os gatilhos

O café assume uma posição dúbia no estudo. Enquanto a ausência da substância é um dos principais gatilhos para a dor de cabeça em quem a consome regularmente; por outro lado, muito café representa um risco. Mais de 400 miligramas por dia (um copo possui 125), salientam os autores, é um forte “aliado” das dores. Eles alertam ainda que grandes quantidades de café estão associados à ansiedade e depressão.

Outro gatilho para a enxaqueca é o glutamato monossódico (intensificador de sabor usado em muitos alimentos processados), como congelados, enlatados e sopas. Eles também são encontrados em molhos de salada, lanches, temperos diversos e estão fortemente presentes na cozinha chinesa, descrevem os autores.

Substâncias conhecidas como nitritos -conservantes presentes em carnes processadas, bacon, salsicha presunto e carne – também desencadeiam as dores. Estudo demonstrou que indivíduos com enxaqueca têm mais probabilidade de ter uma crise quando consomem os produtos. Tanto no caso de nitritos, como nos nitratos, afirmam os autores, vale a pena ver o rótulo antes do consumo de determinados alimentos.

O álcool é um dos fatores mais comumente relatados – e, de fato, eles são problemáticos, diz o estudo. Vodka e vinho tinto são especialmente preocupantes porque possuem histamina, um conhecido deflagrador das crises.

Os autores dizem também que há muito interesse nas dietas glúten, mas elas só são úteis para diminuir dores de cabeça se os indivíduos sofrem de doença celíaca, forte intolerância que pode ser diagnosticada por um exame de sangue positivo ou biópsia intestinal.

As dieta de prevenção

Três dietas podem prevenir as dores de cabeça, salienta o estudo. Aquelas com baixa quantidade de gordura e carboidrato e aquelas com altas concentrações de ômega-3.

As dietas com baixo teor de gordura restringem a quantidade de gordura na dieta a menos de 20% de suas necessidades diárias de energia. “A beleza dessas dietas é que eles não só reduzir dores de cabeça, mas pode produzir perda de peso e prevenir doenças cardíacas”, afirma Brinder Vjj.

Outra opção são as dietas cetogênicas. Elas induzem o organismo a um estado de cetose (quando o organismo passa a queimar gordura como fonte de energia, no lugar do açúcar). 

Para isso, a dieta restringe carboidratos e privilegia gorduras boas (como castanhas) e proteínas. Os pesquisadores aconselham que ela seja feita, entretanto, sob a supervisão de um médico.

Uma das dietas mais promissoras para aqueles com ataques frequentes são as que priorizam o ômega-3, quanto diminuem a quantidade de ômega-6. O que inclui substituir óleos de soja e de canola, por exemplo, por óleo de linhaça. Também o consumo de salmão e as sementes e farinhas de linhaça são indicados. enquanto aqueles a evitar seria amendoim e caju.

“Pessoas com dor de cabeça e enxaqueca têm mais opções do que nunca. Em última análise, uma dieta saudável para a prevenção da cefaleia exclui alimentos processados, minimiza a cafeína e inclui uma grande quantidade de frutas, legumes, peixes e carnes magras”, diz Martin.

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