Diretora do escritório artístico da dOCUMENTA 14 em Atenas veio ao Brasil para do IV Seminário Internacional ARTE!Brasileiros e também do Seminário Passagens do Goethe-Institut 


Depois de participação no 
IV Seminário Internacional ARTE!Brasileiros, no qual discutiu o tema arte contemporânea e realidade a partir de uma perspectiva institucional, a curadora grega participou de evento no Goethe-Institut nesta segunda-feira (12). Na ocasião da mesa Do museu de 100 dias ao sul global, Fokidis debateu com a historiadora de arte e professora da Universidade Humboldt de Berlim, Charlotte Klonk, com mediação de Vinicius Spricigo, curador e professor da Unifesp.

Fokidis ressaltou que a dOCUMENTA 14  não será “sobre” a Grécia e não tem um objetivo missionário, de ajudar o País, mas sim de ser um “agent provocateur”. Segundo ela, ao dividir o evento entre Alemanha e Grécia,  o diretor artístico, Adam Szymczyk, pretende sincronizar essas duas localidades que se encontram em momentos totalmente diversos de suas histórias políticas e econômicas, encorajando diálogos e conexões outros que não aqueles de polarização e inimizade retratados pela mídia.

Fokidis e Klonk refletiram também sobre o paralelo sugerido entre Kassel e Atenas. Klonk lembrou que a dOCUMENTA foi criada num contexto de pós-guerra em uma das cidades mais bombardeadas durante a guerra, Kassel. A primeira edição do evento, em 1955, pretendia recuperar, na Alemanha, uma experiência da arte moderna perdida durante a supremacia Nazista, criando um contexto de “normalidade” durante 100 dias. Fokidis afirmou que para ela, a analogia é entre situações e não necessariamente entre cidades, e que o ponto de proximidade é uma situação pós-traumática vivida pelos habitantes de ambas: se na ocasião da criação do evento os alemães lidavam com o trauma de uma guerra, os gregos hoje lidam com o trauma de uma crise econômica e migratória que tem devastado o país.

As duas palestrantes, entretanto, concordaram que discordam a respeito de um ponto: Klonk acredita que as noções de norte e sul são demasiadamente problemáticas, pois “estamos sempre ao sul de algum lugar”. Fokidis reforçou, por outro lado, que o sul, da maneira que entende, não se refere a um conceito geográfico, mas a um estado de espírito, uma atitude que pode ocorrer em qualquer lugar do mundo. A realização de que a Grécia estava no sul, acrescentou ela, só veio com a emergência, na mídia, de expressões como “Southern Europe” (Europa do Sul em tradução livre), que implicavam uma percepção de uma cultura  à “preguiça” e um estilo de vida “hedonista”. Foi para problematizar essas questões, e dar espaço ao criticismo contra a ocidentalização e homonogeização cultural, que a curadora criou a revista South as a state of mind – que hoje hospeda a plataforma de conteúdo da dOCUMENTA. 

Leia também entrevista com Solange Farkas e Marina Fokidis sobre a questão do Sul Global na edição 36 da ARTE!Brasileiros: http://brasileiros.com.br/JJ6MT
 
Link curto: http://brasileiros.com.br/4S000
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