José Luiz Del Rio afirma que todos os sindicatos têm enfrentar um patronato feroz demais e um governo sem projeto, que deseja explorar e se vingar do povo

Manifestação sindical contra o projeto de terceirização - Foto: Paulo Pinto/ Fotos Públicas

Manifestação sindical contra o projeto de terceirização – Foto: Paulo Pinto/ Fotos Públicas


O historiador José Luiz Del Rio disse que as centrais sindicais vão se unir para combater as propostas anti-históricas do governo Michel Temer: “Elas vão se unificar na luta contra essa ofensiva de um patronato escravocrata”, disse o ex-senador italiano em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, publicada nesta sexta-feira (9).

Na quinta-feira (8), o ministro do Trabalho, Ronaldo Nogueira, afirmou a sindicalistas que a jornada de trabalho poderia ser elevada para 12 horas diárias. Diante das críticas, Nogueira voltou atrás: “O presidente me ligou, me orientou a reafirmar que o governo não vai elevar a jornada de 8 horas nem tirar direitos dos trabalhadores”, disse.

O  historiador Del Rio lembra que o presidente da CNI já tinha mencionado a elevação da jornada semanal para 80 horas: “Robson Braga de Andrade, presidente da Confederação Nacional da Indústria, falou em chegar a 80 horas. É a mesma coisa que dizer que tem que voltar a escravidão. Um pouco pior. Porque na escravidão o escravo era um instrumento de trabalho e o patrão tinha que dar de comer para ele, se não perdia o dinheiro. Aqui, não. Há abundância de mão de obra, coloca 80 horas, morre, joga na rua, não tem problema. Por isso é pior do que a escravidão o que algumas pessoas desenham. Não vão conseguir”. 

Segundo ele, as centrais vão se unir para combater esse “patronato escravocrata”: “Não existe possibilidade que uma central sindical possa aprovar uma PEC 241 ou a destruição da CLT. Isso seria a sua própria destruição. O movimento dos trabalhadores é muito lento. Ele se move quando o ataque aos seus direitos entra dentro da fábrica, do escritório, da escola. Vou ter que trabalhar até os 75 anos, não tenho nem o SUS para recorrer, não posso pagar plano de saúde. Os dirigentes sabem que esse momento vai chegar quando for debatido isso no Parlamento”.

Para Del Rio, é uma “questão de sobrevivência. Central que não fizer isso não sobreviverá. Porque a mobilização será muito forte”. Ele sustenta que os sindicatos “têm um inimigo que é feroz demais. Eles têm que lutar contra. Eles vão se unificar na luta contra essa ofensiva de um patronato escravocrata. Não é um patrão moderno. Nunca rompemos de verdade com o escravismo no Brasil. As relações de trabalho foram escravistas durante 350 anos e não houve uma ruptura como nos EUA”.

Como exemplo de união, ele recorda que os presidentes de seis centrais (CUT, Força Sindical, UGT, CTB, Nova Central e CSB) assinaram prefácios do seu livro “Primeiro de Maio, sua Origem, seu Significado, suas Lutas”, reeditado agora com uma tiragem de 30 mil exemplares. Para ele, a edição do livro já demonstra a vontade de ação conjunta.

O historiador considera que o governo Temer “vai ser instável pelo conjunto de forças que deram o golpe, que são contraditórias e ávidas. Querem privatizações, Estado mínimo e aumento da mais valia. Há uma brutal concentração de riqueza no mundo, o tal 1%, que na verdade é 0,1%. O governo Temer vai ajudar o 0,1%, vai dar muito milho para o pato. Muita gente vai querer ganhar algum milhinho, e não tem milho para todo mundo. Haverá divisão. Alguns vão querer a privatização de tudo; outros, não. Surgirão contradições no grupo, que não é estabilizado e que é muito envelhecido”.

Na opinião de Del Rio, “esse governo não tem projeto, a não ser a exploração violenta de seu próprio povo. São muito atrasados na análise mundial. Pensam que estão na época da guerra fria, do pujante desenvolvimento do capitalismo ocidental. Mas esse modelo está com um problema insolúvel e teórico: a taxa de lucro do capitalismo é decrescente há mais de 10 anos. Não adianta ampliar a exploração da mão de obra que isso não se inverte. É preciso mais ciência sem fronteira O inverso do que está sendo feito. Isso vai nos levar à barbárie, pois é o contraposto do que tem que ser feito. É anti-histórico”.

Ele se diz preocupado “com a falta de visão total desse governo, com a sede de vingança social contra o povo. Como eles estão fora da história e do quadro internacional, eles não têm condições de recolocar esse país minimamente no caminho do desenvolvimento e do equilíbrio social. Suas contradições internas são fortes. Não é um governo com um projeto como o dos militares. Esse governo não tem força nem projeto”. Por isso, diz ele, “esse governo que não dura”.

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  • Marcos Adriano de C. Marcello

    O que esse ex-senador italiano, está fazendo de sua vidinha misarável, para ter tempo de se imiscuir em nossos assuntos internos?
    Ninguém dá pitaco nos assuntos italianos, portanto, o melhor que esse velho gagá tem a fazer, é recolher-se à insignificância dele, e cuidar de assuntos do país dele!
    O que acontece é que, lá na Itália, ele está no ostracismo, e quer se aparecer aqui, num país que baba ovos de gringo!