Atletas dos EUA provocaram confusão em um posto de gasolina e depois inventaram a versão do assalto; imagens comprovaram a mentira

O nadador Ryan Lochte foi um dos envolvidos na mentira - Foto: Reprodução/Facebook

O nadador Ryan Lochte foi um dos envolvidos na mentira – Foto: Reprodução/Facebook

O Comitê Olímpico dos Estados Unidos pediu desculpas ao Rio de Janeiro e aos brasileiros pelo incidente causado pelos nadadores norte-americanos, após a revelação de que eles mentiram ao afirmar que tinham sido assaltados.

“O comportamento desses atletas não é aceitável, nem representa os valores do Time EUA ou a conduta da vasta maioria de seus membros. Iremos rever a questão e quaisquer consequências em potencial para os atletas quando retornarmos aos Estados Unidos. Em nome do Comitê Olímpico dos Estados Unidos, nos desculpamos com nossos anfitriões no Rio e com as pessoas do Brasil por esta provação de desordem no meio do que deveria ser uma celebração de excelência”, disse a entidade, em nota divulgada em seu site oficial.

O comitê disse ainda que os atletas Gunnar Bentz e Jack Conger prestaram depoimento na quinta-feira (18) sobre o ocorrido. A entidade informou que os dois atletas, que foram retirados do avião que os levaria para casa, tiveram seus passaportes devolvidos. O suposto assalto, quando revelado, repercutiu mal no Brasil. O Comitê Rio 2016, por meio do seu diretor executivo de Comunicações, Mário Andrada, chegou a pedir desculpas a Lochte pelo ocorrido. Nas horas seguintes, a imprensa norte-americana buscava saber se o nadador estava bem, se tinha sido ferido.

A versão inicial do assalto foi dada pelo atleta Ryan Lochte a um jornal norte-americano. Segundo o relato, ele e os colegas Gunnar Bentz, Jack Conger e James Feigen saíram de uma festa na Lagoa, na zona sul, foram abordados em uma falsa blitz e assaltados por homens armados. A polícia, no entanto, encontrou inconsistências na história contada pelo atleta.

Um vídeo da câmera de segurança da Vila dos Atletas mostrou que Lochte e seus colegas chegaram já de manhã, em clima descontraído, passando as carteiras pelo raio-x. Nessa quinta-feira (18), Conger e Bentz prestaram depoimento e desmentiram a versão de Lochte, que voltou para os Estados Unidos na segunda-feira (15). O depoimento durou cerca de quatro horas. 

O delegado disse que imagens e testemunhas revelaram que os nadadores chegaram de táxi em um posto de gasolina na Barra da Tijuca e quebraram espelhos e saboneteiras do banheiro do local. Os funcionários do posto chamaram a polícia e não permitiram a saída dos quatro. Não houve confronto físico, mas um dos seguranças do estabelecimento chegou a apontar uma arma para evitar que os nadadores saíssem do local, pois, segundo testemunhas, Lotche estava exaltado, agressivo e embriagado.

Os dois atletas afirmaram que a mentira foi articulada por Ryan Lochte para preservar o relacionamento “oficial” de um deles. O jovem – não foi identificado qual – teria “ficado” com uma jovem em uma festa na Lagoa Rodrigo de Freitas, na zona sul. Segundo Fernando Veloso, chefe da Polícia Civil do Rio, o taxista que levou para casa duas jovens que estiveram com os nadadores naquela madrugada depôs e confirmou a versão,  que havia escutado dentro de seu carro, quando as mulheres conversavam. “Não houve roubo, eles não foram vítimas como relataram”, disse Veloso. Após pagar R$100 reais e US$20 pelos danos no posto, os atletas foram liberados pelos seguranças do posto. 

Os nadadores agora poderão responder judicialmente por falsa comunicação de crime e dano ao patrimônio. 

* Com Agência Brasil

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