Se relativizarmos em tempo histórico, foi apenas ontem que nos livramos da ditadura militar, da censura aos meios de comunicação, da perseguição política, religiosa, sexual

O curador Eder Chiodetto. Foto: Estudio X+X

O curador Eder Chiodetto. Foto: Estudio X+X

É normal que todos fiquemos alardeados com os desmandos políticos, com a corrupção e os problemas estruturais sérios em áreas fundamentais para a evolução de qualquer estado, como educação e saúde. Tendemos naturalmente a fazer análises de conjuntura no calor da hora, menosprezando nossa perspectiva histórica. Os fatos: somos uma democracia recente. Se relativizarmos em tempo histórico, foi apenas ontem que nos livramos da ditadura militar, da censura aos meios de comunicação, da perseguição política, religiosa, sexual. Nem sequer tínhamos direito a votar… Mas eis que conquistamos, a duras penas, essa tal de democracia. E o que fizemos? Votamos. E erramos. Erramos muito até acertar um pouco. E retrocedemos de novo. E avançamos depois… É muito difícil ter liberdade de opinião, tolerar ideias contrárias, perceber-se falho. Muitas alterações importantes contribuíram para o Brasil ser hoje um País menos distorcido, mais tolerante, menos dogmático. Sou entusiasta da nossa cultura miscigenada, da nossa pluralidade, da nossa capacidade de reinvenção, nossa criatividade que não encontra paralelo nas culturas europeias, por exemplo. Nosso caminho é mais labiríntico, mas muito promissor.
Eder Chiodetto, curador, São Paulo, SP

Inflação, alta dos impostos, lavagem de dinheiro, delação, demissões e crise. Essas são as palavras mais faladas nas ruas e nos lares. Difícil para qualquer um se manter otimista diante do cenário de crise política, econômica e moral que assola o Brasil. Mas falar é reagir e com isso cada um busca uma saída para a crise que, pelas previsões, não tem data para melhorar. Percebo que, apesar de tudo isso, o brasileiro não perde a esperança, porque nesse mar de escândalos temos pessoas que fazem a diferença e modificam cada um à sua maneira o Brasil, este que acredito. É assim, com um apego quase infantil, que não tenho vergonha de dizer que faço parte desse povo resiliente que se reinventa e se fortalece a cada adversidade.
Isadora Petenon, advogada, São Paulo, SP

A Constituição Federal é o documento político que, entre outros, traz os princípios e metas a serem buscados por esta e pelas próximas gerações para garantirmos uma sociedade livre, justa e solidária, sem pobreza ou desigualdades e, principalmente, sem preconceitos. Em que pesem as notícias sobre corrupção, desastres ambientais, etc., não nos damos conta que, comparados a vários países, temos instituições sólidas e autônomas, que agem independentemente de partidos políticos, como a Polícia Federal e setores do Judiciário e Ministério Público. Por outro lado, nosso complexo de vira-lata não nos deixa perceber que, em matéria de corrupção, a Alemanha também nos dá de 7 x 1, seja no caso Siemens, seja no caso Volkswagen. O melhor do Brasil é o brasileiro, que não desiste nunca de lutar e vai à luta de bom humor!
Carla Zanon, funcionária pública, São Paulo, SP

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