Além dos prejuízos causados a concessionárias de energia e empresas privadas, a prática impactou um dos elementos que compõem o custo da energia elétrica paga pelo consumidor brasileiro

Copel entrega nova linha entre Londrina e Figueira.Foto: Divulgação Copel

Após investigação iniciada em 2006, a Superintendência-Geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) recomendou hoje (30) a condenação de 11 empresas por formação de cartel internacional com atuação no mercado de venda de equipamentos eletroeletrônicos para o setor de transmissão e distribuição de energia no Brasil. Além dos prejuízos causados a concessionárias de energia e empresas privadas, a prática impactou um dos elementos que compõem o custo da energia elétrica pago pelo consumidor brasileiro.

As empresas comercializavam equipamentos de direcionamento de fluxo de energia elétrica com isolamento a gás, conhecido como GIS (do inglês – gas-insulated switchgear), utilizados para proteção e isolamento de equipamentos elétricos, sendo o principal elemento de uma subestação de força.

As investigações apontam que o cartel causou prejuízo para o sistema elétrico brasileiro e também para empresas concessionárias de energia como a Companhia de Transmissão de Energia Elétrica Paulista, Companhia Energética de Minas Gerais, Companhia de Eletricidade do Estado da Bahia, Companhia de Energia Elétrica do Paraná, LIGHT – Serviços de Eletricidade S/A, Eletropaulo, Eletrosul, dentre outras. Também foram afetadas pela prática criminosa a Petrobras, a Companhia Vale do Rio Doce e a Companhia Siderúrgica Nacional.

De acordo com o Cade, o cartel atuou com “impressionante profissionalismo” no período compreendido entre os anos de 1988 a 2004. Segundo o órgão, o grupo atuava fixando preços e reservando áreas geográficas específicas para cada uma das empresas que participavam do esquema, com o objetivo de permitir que seus integrantes conquistassem e preservassem as participações de mercado previamente estipuladas.

“Durante os 16 anos seguintes, 1988 a 2004, os grandes fabricantes de GIS coordenaram a concessão de projetos  numa base internacional, de acordo com as regras e princípios acordados, respeitando quotas estimadas do mercado, fixando níveis de preços e reservando alguns territórios aos membros específicos do cartel”, diz trecho do processo de investigação do Cade.

As empresas integrantes do cartel são Alstom Holdings S.A., Alstom Hydro Energia Brasil Ltda, Areva T&D S.A, Alstom Grid Energia Ltda, Japan AE Power Systems Corporation, Mitisubishi Eletric Corporation, Siemens AG, Siemens Ltda, Toshiba Corporation, VA Tech Transmission & Distribuition GmbH & Co, VA Tech Transmissão e Distribuição Ltda.

Ainda de acordo com o órgão, o grupo também atuava em outros países, tendo sido julgado e condenado em países membros da Comissão Europeia e Estados como a Nova Zelândia, Hungria, Israel e República Tcheca.

O processo administrativo segue agora para julgamento pelo Tribunal do Cade, responsável pela decisão final. Caso sejam condenadas, as empresas deverão pagar multa que pode alcançar até 20% de seu faturamento no ano anterior ao de instauração do processo nos ramos afetados pela atividade.

*Com Agência Brasil

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  • Raimundo

    Há décadas essas empresas dazem farra em nosso país. Só recemente é que i vestigações co.eçaram a ser levadas a cabo e isso irrita muito tanto as empresários quanto a seus amiguinhos que garantiam sua proteção. Muitas são as forças que querem parar esse processo de promoção da justiça que vem investigando muitos casos de corrupção instalados desde a década de 1990 ou mesmo anteriormente a isso.

  • jucilene furtado

    A pergunta que não faz calar …Por quê só agora sabemos disso ainda que timidamente? É culpa da Dilma e do PT que só agora é investigado e certamente comprovamos que muito dinheiro some dos cofres públicos e como uma laparotomia exploratória tem que abrir o paciente e investigar profundamente e acaba-se descobrindo o que nem mesmo víamos e assim todos os dias sabemos de uma nova denúncia . Espero que sejam julgados no rigor da lei . Dilma 13.

    • Francisco dos Anjos

      Sempre assim, as mesmas empresas do escândalo do metrô de São Paulo e o mesmo método, punir as empresas, e quem são os políticos responsáveis por essa contratações? Não serão responsabilizados? Cadê o ministério público, cadê a nossa midiática PF? Vai ficar por isso mesmo?

  • João Batista Ferreira

    Por quê que só agora estas “coisas” estão vindo ao nosso conhecimento?

  • Delmiro Gouveia

    Enquanto isso, os “gatos” são liberados nas favelas desde 1900….

    • Marcelo

      Enquanto isso a polícia mata na Favela a vontade, enquanto isso não tem hospital, creche nem escola, nas favelas, não tem saneamento básico nem água e você, preocupado mesmo com a energia?

  • Roberto Machado Cassucci

    Olá! Feliz Ano Novo a todos… Seria muito interessante, se o montante oriundo destas multas, também revertesse (em pecúnia), aos bolsos dos consumidores, que foram indiretamente ¨roubados¨, através das contas de energia sobrevalorizadas nesse período…

  • http://M&A Armando Toshimitsu. Odaka

    O negócio é transferir os projeto para empresa japonesa executar eles são mais honesto não depende de roubar e fazem com muita qualidade.

    • Arthur

      Só pra te avisar que, entre as multinacionais envolvidas nessa sujeira toda, 2 são japonesas (Mitsubishi e Toshiba)… rs

  • Adyneusa

    A coisa é grande, a cadeia de empresas corruptas faziam a festa no Brasil. Agora de fato está sendo feito uma investigação de verdade e pegando esses corruptos de décadas.

    • Silva

      São os meios utilizados por grandes empresas para o enriquecimento.