Em seminário da Brasileiros sobre política industrial, palestrantes concordam que estrutura do setor precisa ser retrabalhada, mas crise tem solução

Foto: Luiza Sigulem

Foto: Luiza Sigulem


“A saída para a crise brasileira passa por uma retomada da indústria”, afirmou o economista Antônio Corrêa de Lacerda, primeiro palestrante do seminário Política Industrial para a retomada do desenvolvimento, organizado pela Brasileiros Editora, no Hotel Intercontinental, em São Paulo, nesta segunda-feira.

Ex-presidente do Conselho Federal de Economia, Corrêa de Lacerda participou da mesa Caminhos para a Retomada, em que participaram Renato Corona Fernandes, gerente do Departamento de Competitividade e Tecnologia da Fiesp, e Pedro Celestino, presidente do Clube de Engenharia. Corrêa de Lacerda apresentou as dificuldades do setor industrial em consequência de crises internacionais e nacional, mas traçou um cenário positivo. “A crise não é insolúvel. Crise gera oportunidades, os grandes saltos que demos foram em momentos de crise. O desafio de agora é recriar a indústria para viabilizar o desenvolvimento. Esgotamos o conforto do rentismo fácil e do crescimento baseado no consumo.”

Renato Corona Fernandes abordou as dificuldades do setor industrial. Mostrou o problema do processo de desindustrialização precoce no Brasil, o descolamento das vendas do comércio com a produção industrial e a consequente queda nas exportações, rentabilidade e investimentos. Apesar de apontar falhas, Corona Fernandes não acredita que as políticas indústrias do governo foram ineficientes. “A política industrial sozinha não faz milagre.”

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Antonio Correa
Renato Corona

Ele criticou o elevado custo de produção e a valorização prolongada do real, os responsáveis, de acordo com ele, por reduzir as condições de competitividade da indústria nacional. Corona Fernandes sugeriu aspectos a serem corrigidos: uma política industrial de estado, não de governo, e um novo arranjo macroeconômico com juros básicos compatíveis concorrentes, câmbio competitivo e redução da tributação.

Para Pedro Celestino, “o Brasil necessita de um projeto nacional por sua economia diversificada”. Ele não acredita no termo desindustrialização, mas concorda que a estrutura do setor precisa ser retrabalhada. Sua proposta de retomada do crescimento passa por investimos na indústria de baixa tecnologia e na indústria de alta tecnologia, fazendo o petróleo brasileiro trabalhar para o País. Ele citou o modelo norueguês, que protegeu os interesses nacionais. “Precisamos resgatar o conceito de planejamento.”


Antônio Correa de Lacerda

Pedro Celestino

Renato Corona Fernandes

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