Para Rita Almeida, que comanda uma das empresas de estratégia de marca e inovação mais importantes do Brasil, marcas precisam compreender posição dos idosos

Foto: Ingimage

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A líder da CO.R Inovação, Rita Almeida, questionou nesta quinta-feira (13) o papel das empresas brasileiras, que ainda focam suas atenções para pessoas mais novas. ” As empresas continuam no culto à juventude. Não que isso seja ruim, eu sou entusiasmada com isso, mas as empresas continuam pensando que os jovens influenciam os mais velhos, que os que têm mais dinheiro influenciam os que têm menos, e na verdade essas coisas estão muito misturadas. As empresas demandam pouco. A verdade é que ainda estamos no início”, disse ela. Ela foi uma das participantes do seminário Economia da Longevidade: Oportunidade de Crescimento, Inovação e Bem-estar, organizado por Brasileiros nesta quinta, em São Paulo. 

Já o vice-presidente acadêmico da Kroton Educacional, Rui Fava, que debateu com Rita durante o primeiro painel do evento, Economia da Longevidade, afirmou que as pessoas mais velhas podem ter acesso a conhecimento com os mesmos meios usados no aprendizado de jovens. Desconsiderando a ideia de gerações como Y (juventude) e X (idosa), utilizada normalmente para designar as diferenças de idades, Fava explicou ao público do seminário que a instituição em que trabalha possui projetos que usam a mesma linguagem para ambas.

“A geração mais nova aprende as coisas com imagem e movimento, enquanto as mais velhas aprendem com imagens fixas, som e textos, mas também com imagem e movimento. Assim, precisamos encontrar uma linguagem que atinja a todos, da geração Y à X, que é a mais velha”, explicou. “O principal modelo que buscamos é a atratividade, que vale para qualquer produto e qualquer serviço. É imprescindível, porque é o que atrai a atenção das pessoas”, completou. 

Questionados por um participante sobre o termo utilizado de forma melhor para definir uma pessoa mais velha, como “idoso”, “velho” ou “melhor idade”, Rita e Fava responderam de forma parecida. Para ela, “o que a gente precisa é eliminar o preconceito em todas as palavras que definem o envelhecer, e aí podemos usar qualquer uma delas”, enquanto ele, novamente afirmou que não pode haver distinção. “Nós não fazemos diferenciação. Nós da Kroton chamamos de regeneration, no sentido de produção de material. Não olhamos a geração, porque acreditamos que todos são iguais”. 

Brasileiros organiza nesta quinta-feira (13), em parceria com o Centro de Estudos da Economia da Longevidade, o seminário Economia da Longevidade: Oportunidade de Crescimento, Inovação e Bem-estar, que discute o envelhecimento populacional sobre a ótica do crescimento econômico e da produção industrial. É a primeira vez que as empresas são chamadas para discutir o tema no Brasil, mostrar seus “cases” e discutir a visão estratégica sobre a dinâmica populacional.

“A economia da longevidade é sempre vista como apenas como um filão de mercado e de consumo a partir do maior número de idosos na população. Essa é uma definição simplista e não está de acordo com o que está na literatura e na ação de muitos países europeus, como a França. É uma estratégia de crescimento econômico nos países industrializados e de produção industrial. Mais do que isso, a gerontecnologia estimula a economia, discute o envelhecimento com outra perspectiva que não tratar os mais velhos como bombas-relógios”, disse na abertura do seminário, Jorge Félix, curador do evento, diretor do Centro de Estudos da Economia da Longevidade e que mantém um blog em Brasileiros sobre o assunto

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