Feira suíça chega à 46ª edição com 14 galerias estreantes e público acima de 98 mil visitantes

Em sua 46ª edição, que aconteceu entre 18 e 21 de junho, com dois dias de prévia para o público especializado, a Art Basel se apresentou com 284 galerias, como um gigante ainda em fase de expansão. Expansão, principalmente pelo número de visitantes que, eufóricos, percorriam os estandes como em uma caça ao tesouro. Ao todo, foram mais de 98 mil ao longo de seis dias. Alguns dos renomados colecionadores se pronunciavam na mídia social com imagens de suas conquistas ou ainda com provocações públicas. Um deles escreveu a palavra alemã Krieg, ou seja, guerra declarada!

A organização da feira anunciou grande presença de galerias europeias, contudo tem ainda ampla diversidade geográfica. Teve participantes de 33 países, que trouxeram novos artistas e uma forte seleção de expositores das Américas e Ásia Pacífica, ou seja, de todo o mundo. Neste ano, 14 galerias fizeram sua estreia na cidade suíça, vindas de China, Emirados Árabes, Hong Kong, Israel, Japão etc.

New Exhibition Hall, Art Basel

New Exhibition Hall, Art Basel

Assim como a Bienal de Veneza, ambos eventos se veem rendidos à expansão do potencial artístico internacional em cada edição. A mostra italiana, porém, tem a vantagem de se expandir por locais inusitados da cidade, como palácios, igrejas, espaços públicos e outras relíquias da arquitetura local. Já a Art Basel, apesar de possuir um programa de obras de arte em espaços públicos, e da recente reforma do local expositivo, apresenta-se em um ambiente físico delimitado e demarcado pelos estandes convencionais.

Contudo, seu diretor Marc Spiegler criou um conceito distinto para essa edição, reservando o piso térreo da Halle 2 para expositores de obras com um foco especial, produzidas entre 1900 e 1970. Isso causou transtornos para certas galerias que faziam uso do mesmo espaço físico há anos, provocando uma nova rotatividade espacial para certa irritação do público, ao ter de se orientar em seu pouco tempo disponível. Estrategicamente, essa medida deixou clara a intenção da feira ao criar um perfil exclusivista, para se diferenciar das edições em Miami Beach e Hong Kong, também do grupo Art Basel.

"Primavera Árabe" (2014), Kader Attia

“Primavera Árabe” (2014), Kader Attia

As galerias, por sua vez, expuseram o melhor de seu programa ou de suas conquistas no mercado secundário. No entanto, a euforia unida à massa de visitantes inibiu o ato contemplativo das obras e muitas vezes as coloca em risco, exigindo grande número de seguranças atentos para proteção. A atualidade se fez presente na escolha das obras, como no caso de um trabalho de Christo, artista que comemorou seus 80 anos em 13 de junho. As obras de Anish Kapoor, que acaba de inaugurar uma grande mostra nos jardins de Versailles, puderam ser adquiridas em diversas galerias, como Lisson e Hauser & Wirth. Sigmar Polke, celebrado recentemente com mostras individuais no MoMA de Nova York, Tate de Londres e Ludwig Museum, estava representado, entre outras, pela galeria Michael Werner de Nova York, com uma pintura de 1,70 m x 1,30 m, pelo valor de oito milhões de euros.

"Formosa Decelerator" (2014), Opavivará

“Formosa Decelerator” (2014), Opavivará

Com grande amplitude espacial, o setor Unlimited apresentou obras monumentais históricas, de artistas como Jannis Kounellis, ou inéditas, que chamaram a atenção pela atualidade e complexidade, como é o caso de Primavera Árabe, de Kader Attia. Apesar da semelhança estética, à primeira vista, com criações tidas como históricas de Michelangelo Pistoletto, Attia se refere à devastação dos bens culturais pelas agressões dos radicais islâmicos.

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