Ex-atleta olímpico e pai das Kardashians foi ovacionada na premiação da ESPN

Foto: Reprodução/Youtube

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Caitlyn Jenner recebeu nessa quarta-feira (15) o prêmio Arthur Ashe Courage Award no ESPY Awards, organizado pela rede ESPN. Ex-atleta olímpico e medalhista de ouro no decatlon masculino de 1976, Jenner assumiu sua transexualidade em abril deste ano. Também ficou conhecida como pai da família Kardashian.

Ao receber o prêmio, Jenner fez um comovente discurso em defesa dos direitos dos transexuais e foi aplaudida de pé pelo público.

Confira o discurso na íntegra:

“Até alguns meses atrás eu nunca tinha conhecido uma pessoa transexual, não conhecia ninguém como eu. Nunca. Sempre enfrentei minha situação sozinha. Mas consegui transformar esta viagem em uma coisa incrivelmente educativa. Ela me abriu os olhos. Me inspirou, mas também me deu medo.

Neste país, e em todo o mundo, neste exato momento, há pessoas jovens que tentam aceitar sua transexualidade. Estão descobrindo que são diferentes. E estão tentando descobrir como lidar com isso. Além de todos esses problemas, essas pessoas estão sendo assediadas. Estão sendo atacadas. Estão sendo assassinadas. E estão se suicidando.

No mês passado o corpo de Mercedes Williamson, uma jovem negra transexual de 17 anos, foi encontrado em um campo do Mississippi. Ela tinha sido morta a punhaladas. Também quero falar a vocês de Sam Taub, um jovem de 15 anos de Bloomfield, Michigan. Sam se matou em abril. Sua história me afetou particularmente porque sua morte aconteceu alguns dias antes de a ABC transmitir minha entrevista com Diane Sawyer. Cada vez que isso acontece as pessoas se perguntam: “Poderia ter sido diferente? Aumentar a visibilidade disto pode fazer as coisas mudar?” Nunca vamos saber.

Mas se há uma coisa que eu sei sobre minha vida é o poder dos holofotes. Às vezes é opressor, mas com a atenção vem a responsabilidade. O que você faz e o que você diz é observado e absorvido por milhões de pessoas, especialmente jovens. Tenho consciência de minha responsabilidade de contar minha história corretamente, de continuar a aprender, de fazer tudo o que estiver ao meu alcance para mudar o modo como os transexuais são vistos e tratados. E, sobretudo, de promover uma ideia muito simples: aceitar as pessoas como elas são. Aceitá-las mesmo que sejam diferentes.

Como grupo, como atletas, meu pedido esta noite é que vocês se unam a mim e o façam também. Como podemos começar? Com educação. Conheci Arthur Asche e sei o quanto educação foi importante para ele. Aprenda tudo que você puder sobre as outras pessoas, para poder entendê-las melhor. Sei que as pessoas deste lugar respeitam o trabalho duro, respeitam o estudo, o fato de que se passa por dificuldades para alcançar uma meta ansiada. Eu fiz treinamento rígido. Competi. Por isso as pessoas me respeitaram. Mas esta transição foi mais difícil para mim do que qualquer pessoa pode imaginar. E a mesma coisa acontece com muitas outras pessoas. Nem que seja apenas por isso, os transexuais merecem algo vital: o respeito de vocês.

E desse respeito sairá uma comunidade compassiva, uma sociedade mais empática. E um mundo melhor para nós todos. Há tantas pessoas que já fizeram isto antes de mim, de Chaz Bono a Laverne Cox. Quero agradecer publicamente a elas. Também quero reconhecer publicamente todos os atletas transexuais que hoje têm a oportunidade de praticar esporte do jeito como eles são.

Quero agradecer minha amiga Dianne Sawyer. Eu e a comunidade agradecemos  muito. Tenho muito orgulho de te ter como amiga. Agora vem a parte dura. Quero agradecer à minha família. O maior desafio na hora de dizer a verdade a meu respeito foi o de não ferir ninguém. Sobretudo minha família e meus filhos. Eu sempre quis que meus filhos tivessem orgulho de seu pai pelo que ele tinha conquistado na vida. Vocês me deram tanto. Estou tão grata por tê-los na minha vida. Obrigada!

E por último, minha mãe. Minha mãe, que foi operada há uma semana e não achou que ia sobreviver, está aqui comigo para compartilhar esta noite. Sempre pensamos que eu tinha herdado a coragem e a determinação de meu pai, que combateu na Segunda Guerra Mundial, mas agora me dou conta de que isso veio de você, mãe. Te amo. Estou feliz por você estar aqui para compartilhar este momento comigo.

É uma honra ter a palavra “coragem” associada à minha vida. Mas esta noite há outra palavra que me vem à mente, e é “afortunado”. Devo muito ao esporte. O esporte me ensinou o mundo, me deu uma identidade. Se alguém queria me insultar, não havia problema, porque eu era MVP do time de futebol americano. E a mesma coisa acontece hoje. Se vocês quiserem me insultar, vão em frente. A realidade é que posso encarar. Mas as centenas de jovens aí fora que estão tentando entender quem são… esses jovens não merecem isso. Então às pessoas aí fora que perguntam para que faço tudo isto, se é uma questão de publicidade, de coragem, de controvérsia, eu lhes direi do que se trata: trata-se do que vai acontecer a partir de hoje. Trata-se não de uma pessoa, mas de milhares de pessoas. Trata-se não de mim, mas de todos nós. De aceitarmo-nos uns aos outros. Somos todos diferentes. E isso não é ruim – é bom. Mesmo que você pense que é impossível compreender coisas incompreensíveis, vou mostrar a vocês hoje que é possível, sim. Simplesmente precisamos tentar, todos juntos.”

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