Segundo o prefeito de São Paulo, o governo enfrenta uma série de crises superpostas, sobretudo no Congresso

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O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), afirmou nesta quarta-feira (6) que os governos fizeram carteiras de projetos que podem ser rapidamente ativadas a partir de decisões de alteração das políticas econômicas. “Se o governo federal quiser ativar esses projetos por meio do PAC, eles podem ser ativados em semanas. Essas carteiras estão preparadas no plano municipal, estadual e federal. Eles se prepararam. O ciclo do investimento público antes era muito longo, com licenciamentos ambientais, etc.”, constatou durante discurso no Seminário Rumos da Economia – Desafios para o Crescimento, promovido por Brasileiros.

“Mesmo tomando como pressuposto o ciclo de commodities, o Brasil tem de se perguntar se soube aproveitar este momento para fazer coisas relevantes do ponto de vista estrutural”, continuou ele. “Eu sou do ponto de vista que sim: basta ver os dados de miséria, indicadores sociais de distribuição de renda e acesso à educação. Tudo isso mudou significativamente. Tivemos capacidade de acumular reversas cambiais expressivas.” Ainda segundo ele, a dívida líquida caiu e a bruta se manteve estável em um período em que as divisas no mundo explodiram. “Do ponto de vista fiscal e longo prazo, não estamos confortáveis. Mas não existe risco de default das dívidas externa e interna.”

De acordo com Haddad, o governo fez muita coisa importante que é pouco valorizada. Do ponto de vista institucional, o que está acontecendo é fruto do que se plantou em relação a órgãos de controle. O Brasil tem órgãos de controle parecidos com de países desenvolvidos. “Na cidade, eu importei esses órgãos para desbaratar quadrilhas. Resolvi uma série de problemas que envolvia corrupção de servidores públicos e empresários.”

Na educação, de acordo com o prefeito, o Brasil não fez um catch up com o mundo, mas fez com a América Latina. “Hoje, não temos um sistema europeu, canadense, australiano, mas para o tempo em questão fizemos um avanço que nos colocou melhores do que a Argentina,cegamos perto do Chile e do México, dobrando a população universitária em alguns anos. Estudos do Ricardo  Paes de Barros, com base em dados empíricos e em indicadores internacionais, como o PISA, mostram que boa parte dessa inclusão foi Bolsa Família, renda mínima e aumento da escolaridade.

“Aproveitamos bem esse ciclo de commodities. Eu entendo que não tivemos uma política anticíclica a partir de 2013.  A taxa de desemprego já era baixa, não se justificaria uma política anticíclica, ainda mais usando os instrumentos que foram usados. Tivemos políticas que dialogam muito mais com a inflação do que com o crescimento do produto.” De acordo com o prefeito, a questão da energia elétrica, do câmbio e da conta petróleo tem muito a ver com a perspectiva de manter a inflação sob controle, do que gerar mais emprego e crescimento.

Imaginava-se que, naquele período, as coisas iriam se acomodar. Que o governo iria controlar os desequilíbrios. Ao contrário, as contas foram se avolumando. Várias crises foram se acumulando. O prefeito afirmou que o governo Fernando Henrique teve várias crises, a cambial de 99, a elétrica de 2001, os ataques da imprensa aos processos de privatização, as emendas da reeleição, em momentos distantes. “Estamos vivendo as mesmas crises, mas sobrepostas. O governo FHC enfrentou isso sem ter uma crise de governabilidade no Congresso Nacional. É por meio da política que vamos superar esses momentos.”

“Tivemos um movimento de rua em 2013 em que todo mundo colocou que alguns ajustes na economia deveriam ser feito. Mas o movimento político ia na contramão. As pessoas pediam mais; só não queriam impostos, mas pediam mais serviços de qualidade.” Era contraditório, afirmou, porque havia contecido uma melhora nos últimos anos. Existe uma contradição em universalizar os serviços e a necessidade do Estado se adequar aos novos tempos. 

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  • Carina Vitral

    É possível acessar a integra do Seminário?