Rumos da Economia – Desafios para o Crescimento, organizado por Brasileiros em maio deste ano, teve a presença do prefeito Fernando Haddad e do ex-ministro da Fazenda, Bresser-Pereira. Veja como foi o encontro


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Acesse aqui o material das palestras de Octávio de BarrosIlan Goldfajn

O Brasil pode superar a crise econômica por meio de vários instrumentos, políticas e iniciativas, de acordo com os convidados do Seminário Rumos da Economia – Desafios para o Crescimento, organizado por Brasileiros nesta semana. O encontro foi finalizado com um discurso do prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), que concordou sobre as possibilidades de melhora do País em um curto período de tempo.

Haddad focou suas palavras nas melhoras que o governo federal conseguiu realizar enquanto o ciclo das commodities, principalmente com a demanda chinesa, favoreceu a economia brasileira. “O Brasil tem de se perguntar se soube aproveitar este momento para fazer coisas relevantes do ponto de vista estrutural. Eu sou do ponto de vista que sim: basta ver os dados de miséria, indicadores sociais de distribuição de renda e acesso à educação. Tudo isso mudou significativamente. Tivemos capacidade de acumular reservas cambiais expressivas”, disse.

Já o economista-chefe do Bradesco, Octavio de Barros, traçou um cenário negativo, mas com tendência à melhora. Na sua avaliação, o risco Brasil ainda é imensamente elevado em relação a Chile, Turquia e México, por exemplo. “A confiança, como dizia Larry Summers, é de graça. Nos últimos anos, houve um desprezo [do governo] pelo mercado, o que foi ruim”. Mas, ponderou, o Brasil sempre se saiu bem em momentos de crise. Hoje, no entanto, tudo conspira contra. “Nossa expectativa é que o PIB caia 1,5% neste ano. Acho que podemos chegar a crescimento de 3% em 2018. A previsão média é de 1,3% neste segundo mandato da Dilma.”

Pedro Rossi, professor do Instituto de Economia da Unicamp, foi mais contundente em suas críticas ao governo. Segundo ele, a estratégia da presidenta Dilma Rousseff foi equivocada em 2011, com a adoção de um ajuste fiscal, em um ano em que a economia não crescia. O segundo erro foram as desonerações de impostos de muitos produtos. “Isso gerou um custo enorme em termos fiscais.” Segundo o economista, os gastos públicos mantiveram o ritmo de crescimento, mas com a economia fragilizada, o déficit aumento. Para ele, contudo, não há “explosão do déficit”.

Por fim, o economista-chefe do Itaú, Ilan Goldfajn, e o ex-ministro e professor emérito da Fundação Getulio Vargas, Luiz Carlos Bresser-Pereira, concordaram nos temas da responsabilidade fiscal. Segundo Goldfajn, “é preciso entender que, desde 2008, o mundo mudou para os países latino-americanos, mas o ciclo terminou em 2010, com o fim do boom das commodities. O segundo, internacional, de juros muito baixos e dinheiro barato, está terminando também. A América Latina desacelerou, mas no Brasil, o movimento foi mais forte. Parte tem a ver com políticas internas e com a necessidade de ajustes serem feitos: fiscal, quase fiscal, tarifas públicas, balanço de pagamentos e o ajuste de juros por parte do BC, para a inflação voltar a atingir o centro da meta, de 4,5% ao ano.

Bem-humorado, Bresser disse que concordava com 95% do que Goldfajn falou, apesar de serem de campos opostos na economia. O primeiro é desenvolvimentista e o segundo, liberal. Os 5% de discórdia: “Estamos fazendo um estranho ajuste, por que feito na recessão”. Segundo ele, a política fiscal foi equivocada em 2013/2014. Mas, com o fim do boom das commodities e a crise da Petrobras, agora sobra desconfiança. Para ele, é preciso fazer o ajuste fiscal para também pagar “os custos absurdos da taxa de juros”.

Assista à íntegra:

A repercussão do evento segue abaixo:

- “Os governos se prepararam para crises”, afirma Fernando Haddad
- “Momento é difícil, mas deve melhorar”, diz Octavio de Barros
- “Ajuste fiscal hoje aprofunda a recessão”, diz professor da Unicamp
- Goldfajn e Bresser-Pereira concordam sobre necessidade de responsabilidade fiscal

Link curto: http://brasileiros.com.br/udOEN
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  • ivan

    Enquanto a Dilma e o Pt estiverem no poder, a nossa nação não vai sair da crise, pronto!