Coletânea aposta em formato diferente: os textos são distribuídos em envelopes, como se fossem cartas.


Um livro sobre viagens que quer passar longe de funcionar como guia turístico. Essa é uma das propostas de Queria Ter Ficado Mais, da editora Lote 42, uma coletânea que reúne 12 autoras para contar suas histórias em diferentes lugares do mundo de uma maneira pessoal, feminina e humana. Entre alguns nomes do time, a escritora Clara Averbuck, as jornalistas Bruna Tiussu e Olívia Fragae e a editora do site da Brasileiros, Ligia Braslauskas (lista completa no final do texto).

Ao invés do formato tradicional de livro, os textos de Queria Ter Ficado Mais são distribuídos por envelopes, como se fossem cartas.  “Busquei algo que dialogasse com o universo de viagens, e refletindo sobre os tempos de hoje, as pessoas não tem mais o costume de mandar cartas, pensei que seria uma forma lúdica e muito pessoal de dialogar com o livro, tendo essa experiência de como se cada autora estivesse escrevendo essas cartas para o leitor”, conta a designer Luciana Martins, responsável pelo projeto gráfico. 

“São histórias muito carregadas de sentimentos e sensações, uma viagem mais interna do que turística”, diz a ilustradora do projeto, Eva Uviedo, que fez uma aquarela para cada história. “Tentei me colocar um pouco no lugar das escritoras e imaginar o que elas teriam desenhado e anotado no seu caderninho de viagem se tivessem um”.

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Para saber mais sobre a criação de Queria Ter Ficado Mais, conversamos com a jornalista argentina Cecilia Arbolave, organizadora do livro e também uma das autoras com um texto sobre Bueno Aires:

Como foi a criação desse livro – a ideia de reunir histórias de viagens escrita por várias mulheres? Já é a segunda coletânea da editora, certo? 

Sim, é o segundo livro coletivo da Lote 42 (o primeiro foi Indiscotíveis, que reúne ensaios sobre discos fundamentais da música brasileira). A ideia do livro surgiu numa conversa aqui na editora, ao lembrar de histórias de viagens de algumas conhecidas nossas. Queríamos fugir dos típicos guias de turismo e trazer à tona textos com outro tipo de abordagem, um mais pessoal, mais humano. O livro apresenta 12 lugares, mas eles vão se revelando conforme avançam as histórias. Fizemos esse recorte das mulheres porque queríamos reunir diferentes impressões e vivências do ponto de vista feminino. Ficou um conjunto muito bacana, pois traz não só textos autorais como também formas diferentes de viajar. Fomos escolhendo as autoras a partir das histórias — e não dos lugares pelos quais passaram. Algumas dessas experiências já conhecíamos e outras foram completamente novas.

A Lote já tem uma tradição em inovar nos formatos dos livros, como foi que pintou a ideia desse?

A ideia do livro surgiu rápido, mas ficamos bastantes meses pensando no projeto gráfico e em diferentes formatos até achar um que realmente tivesse relação com o assunto da obra, que é viagens. Chegamos a pensar em ideias semelhantes, como postais, mas nenhuma nos convencia. Foi só quando veio a ideia das cartas nos envelopes que realmente achamos que tínhamos encontrado realmente o formato certo para o livro.

Queria que você contasse um pouco sobre a sua história no livro. Você é a única que conta uma história no país que nasceu, certo? (Cecilia mora em São Paulo desde 2008 e escreveu sobre Bueno Aires) 

Escrever esse texto foi uma forma de revisitar minha cidade natal e a relação que estabeleço com ela. É curioso que conforme vão passando os anos, vou me afastando um pouco mais dela, me sentindo um pouco mais estrangeira lá. Só que ao mesmo tempo quando visito Buenos Aires sinto uma familiaridade muito grande. É uma sensação ambígua que muitas pessoas que já não moram nas cidades onde nasceram podem sentir.
Como a proposta era escrever uma história (e não um tratado sobre saudades!), acabei escolhendo contar de uma amizade improvável com um orientador do Malba, amizade que mantenho até hoje, mesmo conhecendo pouco da vida dele, e que começou de um jeito bem inusitado. No meio da narrativa, vou misturando um pouco minhas impressões sobre essa relação que tenho com Buenos Aires.

Conheça todas as autoras de Queria Ter Ficado Mais

Barbara Heckler
Jornalista e antropóloga paulistana, trabalhou na Bravo! e no Arte1, e nos últimos anos tem explorado o campo da fotografia e do vídeo. Escreveu sobre Barcelona.

Bruna Tiussu
Jornalista paulista especializada em turismo, passou pelo caderno Viagem d’O Estado de S. Paulo e hoje é editora da Azul Magazine, revista de bordo da Azul Linhas Aéreas. Escreveu sobre Valência.

Cecília Araújo
Jornalista mineira, foi repórter da seção internacional do portal Veja.com (Editora Abril) e atualmente é responsável pelo Na Prática, plataforma de carreira da Fundação Estudar. Escreveu sobre cidades de Israel e Cisjordânia.

Cecilia Arbolave
Jornalista argentina, radicada em São Paulo desde 2008, trabalhou por quatro anos em revistas do núcleo Casa da Editora Abril e colaborou para a revista Viagem e Turismo. Hoje é sócia da Lote 42. Escreveu sobre Buenos Aires.

Clara Averbuck
Escritora gaúcha, atualmente edita o portal Lugar de Mulher. É autora de seis livros, como Máquina de Pinball (Conrad), Vida de Gato (7 Letras) e Nosso Senhora da Pequena Morte (Editora do Bispo). Escreveu sobre Londres.

Clara Vanali
Jornalista paulista, foi cocriadora da websérie apê.ritivos e fundou Às Claras Filmes, a própria produtora audiovisual. Escreveu sobre Roma.

Florencia Escudero
Jornalista argentina e graduada em letras, morou dois anos em São Paulo e atualmente mora em Londres, onde também fez design gráfico. Escreveu sobre Yangshuo.

Isis Gabriel
Jornalista freelancer paulista, colabora para diferentes veículos das áreas de arquitetura, decoração e beleza. Escreveu sobre Paris.

Ligia Braslauskas
Jornalista paulistana, foi diretora-chefe da Folha Online, hoje Folha.com, editora-chefe e gerente de jornalismo do portal R7, onde mantém um blog sobre literatura. Atualmente, é editora do site da revista Brasileiros. Escreveu sobre Berlim. “Cresci fisicamente em São Paulo, mas, em Berlim, definitivamente dei a cara a bater. Lá, cresci como gente. Fui fazer o que jamais fizera em São Paulo para sobreviver: faxina residencial, limpeza de bar e, até, tocar no metrô para ganhar um troco.”

Lívia Aguiar
Jornalista mineira freelancer, em 2012 fez uma viagem por 20 países e criou o blog eusouatoa.com, que alimenta até hoje, esteja viajando ou não. Escreveu sobre Istambul.

Luciana Breda
Ex-comissária de voo paulistana, fez faculdade de letras e mestrado em linguística aplicada. Escreveu sobre Tóquio.

Olívia Fraga
Jornalista paulistana, especializada em jornalismo gastronômico. Trabalhou no caderno Paladar, do Estado de S. Paulo e atualmente é editora da revista Casa e Comida (Editora Globo). É a autora do capítulo sobre comida de rua brasileira do livro Street Food around The World: An Encyclopedia of Food and Culture (ABC-CLIO). Escreveu sobre Nova York.

Link curto: http://brasileiros.com.br/nfjqP
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