Bolsa de Arte, uma das mais tradicionais galerias gaúchas, antecipa as celebrações de seus 35 anos de atividades com a abertura de uma filial paulistana

PAU-FERRO, 2009, Valdir Cruz

PAU-FERRO, 2009, Valdir Cruz

A história da Bolsa de Arte, tradicional galeria de arte contemporânea de Porto Alegre, teve início em 1980, quando o espaço foi fundado por Roberto Silveira. Naquele mesmo ano, cruzou o caminho do galerista a jovem Marga Pasquali, recém-chegada de uma temporada de seis anos em Londres. Depois de cursar Comunicação Social, com a pretensão de se tornar jornalista, ao começar a frequentar tradicionais museus, galerias e leilões do Velho Mundo, Marga decidiu cursar Design e História da Arte. Quando retornou ao Brasil, a Bolsa de Arte passou a ser para ela uma espécie de porto seguro, dos raros locais na capital gaúcha onde ela encontrava diálogo e continuidade para as experiências vividas na Europa. A amizade com Silveira só fez crescer. Em 1985, quando estava decidido a fechar a galeria e se mudar para São Paulo, ele propôs a Marga que assumisse a Bolsa de Arte e ela segue no comando da galeria que, em 2015, completará 35 anos. 

A trajetória narrada no parágrafo acima foi contada por Marga Pasquali, em depoimento à seção Galerista, da edição 15 da ARTE!Brasileiros. Naquela ocasião, em junho de 2012, ela encerrou seu relato atestando boas previsões, que hoje parecem premonitórias: “Sou superotimista. Acho que a arte brasileira ainda tem muito a oferecer. O futuro tem muitas e boas perspectivas”.

O prognóstico de Marga foi feliz, nas duas apostas: o mercado de arte segue ascendente e a Bolsa de Arte, que representa artistas como José Bechara, Carlos Vergara, Valdir Cruz e Nelson Leirner, no último mês de abril inaugurou, na Vila Madalena, sua bem-vinda filial paulistana.

Com curadoria de Cauê Alves, a mostra A Invenção do Horizonte deu início às atividades da Bolsa de Arte em São Paulo. A exposição reuniu trabalhos de artistas como André Lichtenberg, Elida Tessler, Francisco Faria, Bechara, Leirner e Vergara. A escolha de uma coletiva para a estreia foi pensada por Marga. “Não quis privilegiar nenhum artista em especial, pois todos mereceriam isso. Optamos por uma coletiva e escolhemos um curador de São Paulo, uma pessoa jovem, que a gente respeita e admira. Cauê teve total liberdade de trabalhar com nosso elenco, nosso acervo e acho que deu muito certo.”

No final de maio último, a galeria abriu a primeira individual, a mostra Cronotopos – Fotografias de Valdir Cruz. A exposição reúne trabalhos feitos para cinco séries produzidas nos últimos 20 anos pelo fotógrafo paranaense, radicado nos EUA desde 1978. A acolhida do público paulistano à caçula da Bolsa de Artes tem sido das melhores, garante Marga. “Desde que a galeria abriu, há muita visitação. Fazemos um trabalho sério e teve uma ótima divulgação da nossa chegada. Estou bem satisfeita, mas tudo ainda é incipiente. Estamos nos primeiros passos, mas tem muita gente para conquistar. O mercado é pequeno, proporcionalmente ao tamanho do País e esses movimentos é que fazem as coisas melhorarem para todos nós.”

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Cachoeira do Amor, 2009, Valdir Cruz

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