Livraria da Vila e Brasileiros criam projeto para discutir literatura

Até outubro, a Livraria da Vila será palco para se pensar e discutir Literatura. O projeto Vila Brasileiros é resultado de uma nova parceria entre a livraria e a revista Brasileiros e se propõe a criar um espaço, aberto ao público, para colocar a literatura no centro das discussões.

Os encontros acontecerão na loja da Fradique Coutinho e vão reunir talentos literários. O primeiro debate tem a presença confirmada do curador e escritor Manuel da Costa Pinto e do escritor Ricardo Lísias e mediação de Daniel Benevides, editor do caderno de literatura da revista Brasileiros. O tema inaugural do projeto discutirá o papel da crítica literária. Questões como “a crítica literária tem influência sobre os leitores? Qual deveria ser a função da crítica literária? A crítica perdeu sua relevância diante as opiniões de leitores pelas redes sociais e lojas online?” permearão o debate e promete render respostas instigantes e acaloradas.

Segundo Daniel Benevides, a proposta do projeto é aquecer o debate literário no país, estimular a divulgação e a produção de ideias em um contexto onde cada vez mais a literatura perde espaço, sobretudo, na imprensa. Para Rafael Seibel, diretor de Marketing da Livraria da Vila, a livraria tem como vocação abrir esse debate. “Esperamos um retorno muito positivo e com certeza teremos. São duas instituições respeitadas e que já se propõem a discutir literatura. E entre os encontros não pretendemos discutir assuntos filosóficos herméticos, queremos abrir um espaço informal para também ser uma forma de lazer para as pessoas”, explica Rafael.
 

Confira a programação da Vila Brasileiros

18 de fevereiro – Quem tem medo da crítica literária?

O encontro inaugural da Vila Brasileiros discutirá sobre questões acerca da crítica literária e seu papel. No debate, indagações a respeito de sua relevância, da função e da renovação da crítica serão respondidas pelos escritores Manuel da Costa Pinto, autor de Literatura Brasileira Hoje, Albert Camus – Um Elogio do Ensaio e Paisagens Interiores e Outros Ensaios e Ricardo Lísias,  autor premiado do polêmico DivórcioO Ceú dos Suicidas e O Livros dos Mandarins. O encontro terá mediação de Daniel Benevides.

9 de abril – Shakespeare e as séries de TV

Mais de um crítico notou a semelhança que existe entre os grandes seriados de TV e as peças de Shakespeare. Há quem arrisque dizer que o escritor inglês, se vivesse nos nossos tempos, talvez fosse roteirista de Os Sopranos ou Breaking Bad. Se pensarmos na teoria de Harold Bloom, de que Shakespeare “inventou” o homem moderno, nada mais natural. O pacato Walter White, químico que se transforma em produtor de metanfetamina em Breaking Bad poderia ser um composto de Macbeth e Hamlet. O personagem de Kevin Spacey em House of Cards é o próprio Iago. E Tony Soprano tem algo do Falstaff. Exagero? Está aberto o espaço para debate. 

15 de maio – Literatura e Futebol

No País do Futebol e da Copa, chama a atenção o número relativamente baixo de livros de ficção sobre o assunto. Entre as obras dedicadas à história do esporte e dos clubes, há biografias de grandes jogadores, ensaios eruditos, livros de curiosidades, catataus comemorativos e crônicas brilhantes de autores como Nelson Rodrigues e José Lins do Rego. Recentemente, Marcelo Backes e Sergio Rodrigues lançaram romances em que o futebol tem um papel importante. Mas parece pouco. Por quê? Além de tentar responder a essa pergunta, o debate pretende abordar as possibilidades do futebol enquanto texto e falar sobre os autores que imortalizaram o “onze contra onze”.

 21 de agosto – Literatura inglesa na periferia do Império

Muita gente não sabe, mas grande parte da literatura moderna em inglês é, na verdade, irlandesa. Quatro prêmios Nobel foram para autores nascidos no país do trevo e dos duendes. Os poetas Yeats e Seamus Heaney e os dramaturgos Samuel Beckett e Bernard Shaw. Como se não bastasse, James Joyce e Oscar Wilde também eram irlandeses. E até hoje surgem muitos escritores de talento por lá. Virou parte da tradição. Outros países do Reino Unido também produziram grandes autores: o poeta Dylan Thomas, em Gales, e Robert Louis Stevenson, na Escócia. O encontro propõe discutir o contexto em que cresceram tais escritores e ainda indagar sobre uma possível necessidade maior de se fazer literatura longe dos grandes centros?

 23 de outubro – Amor e morte na literatura

Os dois extremos costumam se encontrar em contos, peças, poemas e romances. Romeu e Julieta e Anna Karenina são os exemplos mais famosos. Mas há muitos outros, como os romances de Arthur Schnitzler, que teriam influenciado Freud; O Vermelho e o Negro, de Stendhal; Morte em Veneza, de Thomas Mann; Lolita, de Nabokov; e os contos de Alice Munro, última vencedora do Nobel. No Brasil, temos as peças de Nelson Rodrigues e o Grande Sertão Veredas, de Guimarães Rosa, para ficarmos em alguns. Philip Roth há tempos só fala de morte, assunto que Tolstoi descreveu como ninguém em seu A Morte de Ivan Ilitch. São certamente os temas mais fascinantes, e por isso mesmo os que mais desafiam o escritor. Por meio de análises e leituras de trechos, o encontro de outubro pretende mostrar os maiores acertos, os mais pungentes entre os que se aventuram a fundo nesses assuntos. E tentar descobrir como a literatura nos ajuda a entender melhor o amor e a morte.

 Serviço
Livraria da Vila – São Paulo
Onde: R. Fradique Coutinho, 915
Das 19h30 às 21h30
Entrada gratuita

Link curto: http://brasileiros.com.br/6MaBq
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